22.5.18

N. K. Jemisin vence Prémio Nebula





N. K. Jemisin é crítica literária de ficção científica e fantasia do New York Times e autora de várias obras diversas vezes nomeadas para os prémios Hugo, World Fantasy e Nebula.
Com o último volume da trilogia Terra Fraturada, The Stone Sky, acaba de vencer o Prémio Nebula, atribuído pela Science Fiction and Fantasy Writers of America, que a confirma como uma das melhores escritoras de obras de fantasia.

A Relógio D’Água publicará em breve o primeiro volume da trilogia, Quinta Estação, com tradução de Alda Rodrigues.

A chegar às livrarias: Pequenos Fogos em Todo o Lado, de Celeste Ng (trad. de Inês Dias)




Em breve uma série de televisão com Reese Witherspoon.

Em Shaker Heights, um pacato subúrbio de Cleveland, está tudo previsto — desde o traçado das ruas sinuosas até à cor das casas, passando pelas vidas bem-sucedidas que os seus residentes levam. E ninguém encarna melhor esse espírito do que Elena Richardson, cujo princípio orientador é obedecer às regras do jogo.
A esta idílica redoma chega Mia Warren — uma artista enigmática e mãe solteira — com a filha adolescente, Pearl. Mia arrenda uma casa aos Richardsons. Rapidamente Mia e Pearl se tornam mais do que inquilinas: os quatro filhos dos Richardsons sentem-se cativados pelas duas figuras femininas. Mas Mia traz consigo um passado misterioso e um desprezo pelo statu quo que ameaçam perturbar esta comunidade cuidadosamente ordenada.

“Um livro maravilhoso. Divertido, inteligente e sensível.” [Paula Hawkins]

“Celeste Ng é sempre arguta, desafiante, generosa e original.” [Meg Wolitzer]

“Provavelmente o meu livro favorito do ano.” [John Green]

“Uma história intensa e emocionante.” [The Times]


“Peguei no livro e não o consegui largar.” [Jodi Picoult]

21.5.18

Gabriel Tallent em entrevista a Isabel Lucas, a propósito da edição, pela Relógio D’Água, de O Meu Amor Absoluto





«No princípio de tudo não havia Turtle, a rapariga atormentada e meio selvagem. Na cabeça do escritor, só existia a paisagem que a moldou e onde ela se refugiava nos momentos de maior sofrimento e raiva. É uma espécie de promontório sobre o Pacífico, chama-se Mendocino.
Ao contrário de Turtle, Mendocino é real. Fica na Califórnia, e é um aglomerado de menos de mil habitantes conhecido pela comunidade hippie que lá morava nas décadas de 60 e 70 e que depois ficou, quando a localidade se transformou numa colónia de turistas e “transplantados” de Silicon Valley. Foi lá, numa família herdeira do espírito hippie, com a mãe e a mulher dela, que Gabriel Tallent, 30 anos, morou desde muito pequeno: “Não me lembro bem da data; não sou muito bom na minha biografia”, diz ao Ípsilon o autor de O Meu Amor Absoluto, agora editado em Portugal pela Relógio D’Água. Um dos mais elogiados romances de estreia de 2017, é um livro negro, centrado numa adolescente de 14 anos e nos sentimentos extremados – amor e ódio – que sente pelo pai, um quase monstro. Quase, uma vez que aqui nada é absoluto, a não ser o instinto paranóico do pai em relação à filha.»
O texto completo pode ser lido aqui:

A chegar às livrarias: Minha Ántonia, de Willa Cather (trad. Marta Mendonça)





Minha Ántonia é o mais importante romance de Willa Cather.
O narrador é Jim Burden, que nos fala de Ántonia, uma jovem mulher originária da Boémia, com quem tem uma relação entre o fraterno e o amoroso.
Mas o livro não é apenas o retrato de uma mulher. É também um fresco que evoca com cores nítidas os imigrantes que lutam contra um solo difícil, que têm de lidar com cavalos e lobos que vivem em liberdade na incomparável planície do Nebrasca.
O mundo de que nos fala é intenso, belo e muitas vezes trágico.
Willa Cather é uma pioneira da literatura dos grandes espaços, retomada mais tarde por escritores como Jim Harrison e Cormac McCarthy.

«Nenhuma narrativa romântica escrita na América, por um homem ou uma mulher, alcança metade da beleza de Minha Ántonia.» [H. L. Mencken]


De Willa Cather a Relógio D’Água editou também Uma Mulher Perdida e O Meu Inimigo Mortal.

A chegar às livrarias: Citações de Albert Einstein, coligido e organizado por Alice Calaprice (trad. de Maria Eduarda Cardoso)




Esta é a edição definitiva da coletânea de citações de Einstein traduzida em mais de vinte e cinco línguas.
Inclui novas secções — “Sobre e para as Crianças” e “Sobre Raça e Preconceito” —, bem como uma cronologia da vida de Einstein, o esclarecedor prefácio de Freeman Dyson e comentários de Alice Calaprice.
Cada citação está devidamente documentada, e Calaprice selecionou cuidadosamente novas fotografias e caricaturas para apresentar cada secção.

“Todos nós que carecemos dos dons intelectuais e espirituais de Einstein temos uma dívida de gratidão com a Princeton University Press por tê-lo humanizado desta forma inovadora.” [Timothy Ferris, New York Times Book Review]

“Este livro fascinante revela Einstein como um ser humano completo, ao mesmo tempo com um lado sensível e outro mais sombrio e taciturno.” [Physics World]


“Textos e equações são... o verdadeiro monumento de Einstein, e Calaprice elabora um verdadeiro festival de aforismos reveladores e incisivos extraídos dos seus discursos e cartas... Revelam um Einstein privado que nunca procurou a frase monumental, mas que foi capaz de a produzir de forma aparentemente natural e espontânea.” [David E. Rowe, The Times Higher Education Supplement]

A chegar às livrarias: O Quarto de Marte, de Rachel Kushner (trad. de José Miguel Silva)





Rachel Kushner foi duas vezes finalista do National Book Award.O seu livro Os Lança-Chamas foi considerado “o melhor, mais corajoso e interessante livro do ano” por Kathryn Schulz da revista New York.

Estamos em 2003 e Romy Hall enfrenta duas penas de prisão perpétua consecutivas na penitenciária feminina de Stanville, em Central Valley, na Califórnia.
Lá fora está o mundo do qual foi privada: a cidade de São Francisco da sua juventude e o filho, Jackson. Dentro, uma nova realidade: milhares de mulheres que lutam por bens essenciais à sobrevivência; os jogos, ostentações e atos casuais de violência perpetrados por guardas e reclusas; e o modo inoperante e absurdo que pauta a vida institucional nas prisões, que Kushner evoca com humor e precisão.

“Este é o melhor livro de Kushner. Mais um enorme passo em frente.” [Jonathan Franzen, The Guardian]

“A ficção de Kushner triunfa porque está repleta de histórias vibrantes, únicas e intensamente vivas.” [James Wood

“Kushner é uma jovem mestre. Não entendo como sabe tanto e consegue passar esse conhecimento para os seus livros de uma forma tão interessante.” [George Saunders]

De Rachel Kushner a Relógio D’Água publicou Os Lança-Chamas e Telex de Cuba.

18.5.18

Sobre Presa Branca, de Jack London




Presa Branca não conta apenas a história de um cão-lobo selvagem. Mas mostra como as mudanças dramáticas no seu comportamento vão evoluindo em relação com as mudanças no seu ambiente social e natural. O livro explora, assim, de modo indirecto, questões sociológicas sobre o comportamento humano — o que é que leva as pessoas a agirem de forma selvagem ou civilizada?
Em Presa Branca, Jack London mostra como a civilização é uma força tão poderosa quanto a natureza em termos de comportamento individual.

Sobre Nesta Grande Época, de Karl Kraus




«Kraus, que reprovava aos jornalistas do seu tempo a “dependência do juízo da clientela pagante” e a predisposição para sufocar qualquer veleidade de pensamento próprio, o que diria da obsessão dos media do nosso tempo com o número de pageviews e likes? Kraus, que considerava inaceitável a pressão exercida sobre os jornalistas pelas cartas dos leitores indignados — “quem se põe a assobiar sozinho no teatro é mandado calar, mas quem escreve cartas pode dar largas à sua estupidez sem nenhum eco acústico” —, o que pensaria da enxurrada de pesporrência e agressividade que inunda regularmente as caixas de comentários das edições electrónicas dos jornais?» [José Carlos Fernandes, Time Out Lisboa, 16/5/2018]

17.5.18

A chegar às livrarias: O Sonho de Bruno, de Iris Murdoch (trad. de Vasco Gato)




Finalista do Man Booker Prize

Bruno tem quase noventa anos. Obcecado com o passado e apaixonado por aranhas, é o centro de uma complexa teia de relações.
Nessa teia estão Danby, o infeliz genro de Bruno; Adelaide, amante de Danby; e Nigel e Will, os irmãos gémeos primos de Adelaide.
Os fios da teia emaranham-se mais ainda quando Bruno insiste em procurar Miles, o filho que o rejeitou e vive com a esposa e a cunhada. 
Pouco demora até que a inquietação que há muito fervilhava venha à superfície, provocando uma vaga de tensão, paixão e violência entre os dois lares…
Em O Sonho de Bruno, o cenário londrino e o ambiente de ameaça são expressos de forma magistral. Este romance, altamente original, mostra-nos Iris Murdoch no apogeu do seu invulgar talento.


De Iris Murdoch a Relógio D’Água publicou também A Máquina do Amor Sagrado e Profano; O Mar, o Mar; O Bom Aprendiz; Um Homem Acidental; O Príncipe Negro; Uma Cabeça Decepada; Sob a Rede e O Sino.

16.5.18

Sobre Na Primavera, de Karl Ove Knausgård




«“Na Primavera” (Relógio D’Água) é o terceiro de uma série de quatro livros dedicados às estações do ano. O conjunto surge depois de Knausgård terminar “A Minha Luta”. O escritor quer concentrar-se numa empreitada simples: escrever textos curtos sobre a escova de dentes, as tampas de esgoto, o açúcar, os átomos, as janelas, as botas… Num registo epistolar, dirige-se à filha, a única que não é contemporânea de “A Minha Luta”. No livro que dedica à primavera, porém, a escrita cede (ao hábito?). Já não há textos curtos. A “ação” tem a duração de um único dia, e recua ao verão anterior, umas vezes questionando as razões por que as maçãs caem das árvores, outras demorando-se nos temas mais devastadores da alma, como a depressão e o suicídio.» [Cristina Margato, E, Expresso, 12/5/2018]

15.5.18

Sobre Alguma Coisa Tem de Chover, de Karl Ove Knausgård




«Karl Ove tem 19 anos e um desejo imenso de ser escritor, ainda que saiba que não tem uma imaginação capaz de gerar intrigas. Também lhe falta um mundo que não derive apenas do seu interior. Hamsun é, por isso, a origem de uma das epifanias mais importantes da sua vida, que se há de refletir na sua escrita, principalmente na que o irá consagrar — aquela que usará nos seis volumes de A Minha Luta, dos quais a Relógio D’Água já editou cinco.
O quinto volume, Alguma Coisa Tem de Chover, começa com a chegada de Knausgård a Bergen, cidade que abandonará 14 anos depois. São 600 páginas sobre um jovem à procurar de um lugar na literatura, e Hamsun consta das primeiras: “Tinha muito pouco dinheiro e decidi-me por um livro de bolso (…) Custou-me trinta e nove coroas e meia, pelo que me restavam doze coroas, com as quais comprei um bom pão na padaria (…).” A cabeça e o estômago. A epifania depois. “[Em Fome] Não sucede nada de especial, ele limita-se a deambular um pouco pela cidade, tem fome e pensa nisso. Eu poderia escrever também dessa maneira (…).”» [Cristina Margato, E, Expresso, 12/5/18]

Nas livrarias: O Prelúdio, de William Wordsworth (trad. e prefácio de Maria de Lourdes Guimarães)





«Nos inícios do século XIX, Wordsworth atingirá o auge da sua carreira poética. Com a sua obra, incluindo os treze livros iniciais de O Prelúdio, chama a atenção de Sir Walter Scott e Thomas de Quincey, com quem estabeleceu laços de amizade. Keats visita-o em 1818 e sente-se consternado ao descobrir que Wordsworth estava bem longe do radicalismo da sua juventude, pois chegava a fazer campanha para as eleições a favor dos conservadores. Esta posição política de Wordsworth deu origem a um certo desencontro ou desentendimento entre ele e a segunda geração dos românticos.
O Prelúdio insere-se na tradição da autobiografia confessional de vários autores de narrativas do século XVIII, surgindo como uma narrativa onde o poeta, além de referir acontecimentos da sua vida desde a infância, relata também eventos históricos. É assim um testemunho do seu tempo e, em simultâneo, do seu desenvolvimento espiritual e intelectual. Possivelmente constituiria, tal como o título sugere, uma introdução para um outro poema, intitulado The Recluse, que, segundo os planos de Wordsworth, seria uma longa composição filosófica; mas nunca chegou a terminar tal obra, tendo apenas sido editados alguns poemas que fariam parte dela.
De acordo com o plano inicial, The Poem — como então era designado O Prelúdio pelo poeta e por Coleridge — não devia exceder os cinco livros, mas o desenvolvimento da narração, o dramatismo das emoções profundas que o percorrem — a viagem pelos Alpes, a estadia em Londres e na França da Revolução Francesa, a sua crise moral e política — constituíram um forte apelo para prolongar o poema, embora tivesse interrompido a sua escrita durante vários anos.

Só após a morte de Wordsworth em 1850 é que surgem os catorze livros com o título The Prelude, atribuído pela sua mulher Mary Wordsworth.» [Do Prefácio]

Agustina no Festival Somos Douro




Somos Douro é um festival de carácter multi-disciplinar, especialmente dirigido aos jovens da região duriense, que acontecerá entre 1 e 17 de Junho, nos 19 municípios que fazem parte do CIM Douro. É uma iniciativa promovida pela CCDR-N pelos 16 anos da atribuição do selo da Unesco ao Alto Douro Vinhateiro que tem Anabela Mota Ribeiro como comissária. 
Domingo, 3 de Junho, será dada particular atenção à obra de Agustina Bessa-Luís.
Pretende-se, tanto quanto possível, envolver a comunidade local nas oficinas, passeios, espectáculos e conversas que compõem o programa e promover a relação com o seu património. 
Há um autocarro a circular entre os 19 municípios e todos eles têm pelo menos uma iniciativa.


SEXTA-FEIRA - 1 JUNHO
21.30 Iniciativa: Concerto 
Convidado: Camané 
Com a participação especial da Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Música de Vila Real
O clássico de Camané Sei de um Rio abre o festival Somos Douro e propõe uma viagem que se vai estender pelos 19 municípios do CIM Douro, entre 1 e 17 de Junho.

SÁBADO - 2 JUNHO
Dia todo
Local: Peso da Régua

DOMINGO - 3 JUNHO
11h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Pedro Mexia
Local: Mesão Frio 
Pedro Mexia é assessor para a cultura do Presidente da República, poeta e crítico literário. Grande conhecedor do universo de Agustina Bessa-Luís, vai dirigir o olhar para a força do território duriense nas obras da autora. Em 2018 passam 70 anos sobre a edição do primeiro livro de Agustina, Mundo Fechado.

15h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Leonor Baldaque 
Local: Armamar
Leonor Baldaque tem múltiplas ligações no Douro. É neta de Agustina, foi actriz nos filmes de Manoel de Oliveira. É escritora e publicou o seu primeiro romance na Gallimard. Conversará a partir do filme e do livro Vale Abraão, não longe do local onde passou férias e aprendeu o que é ser do Douro. Vão ser exibidos excertos do filme. 

18h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Bernardo Pinto de Almeida
Local: Peso da Régua 
Bernardo Pinto de Almeida nasceu no Peso da Régua. É professor catedrático da Faculdade de Belas Artes do Porto. É também poeta e ensaísta. Propõe-se dar a ver a Paisagem como tema dominante na História da Pintura. No Museu da Régua. 

SEGUNDA-FEIRA - 4 JUNHO
Iniciativa: Oficina de Escrita
Convidado: Ana Margarida de Carvalho
Local: Santa Marta de Penaguião
Ana Margarida de Carvalho publicou apenas dois romances e com os dois venceu o mais prestigiado prémio literário português, o Grande Prémio de Romance APE. Na Relógio D’Água publicou o seu mais recente livro, Pequenos Delírios Domésticos. Respondeu com entusiasmo a dois desafios: viver uma semana em Santa Marta de Penaguião e fazer uma oficina de escrita na localidade, dirigida àqueles que gostam de escrever. 

TERÇA-FEIRA - 5 JUNHO
Iniciativa: Oficina de Escrita
Convidado: Tatiana Salem Levy
Local: Carrazeda de Ansiães
Tatiana Salem Levy é brasileira. Além de fazer uma residência artística de uma semana, vai coordenar uma oficina de escrita.

QUARTA-FEIRA - 6 JUNHO
10h Iniciativa: Roteiro
Convidado: Alberto Correia
Local: Sernancelhe
Alberto Correia é historiador, antropólogo e um estudioso empenhado da obra de Aquilino Ribeiro. É também da confraria da castanha. O que lhe foi pedido? Que celebrasse a geografia física, literária e gastronómica do escritor, que falasse a partir dos seus lugares: o Carregal onde nasceu, as ruínas do mosteiro de Tabosa e a magnífica Lapa. 

QUINTA-FEIRA - 7 JUNHO
Ver com Ciência Viva
Iniciativa: À Conversa Com 
Convidado: Maria Manuel Mota
Local: Vila Real
Nasceu em 1971 no norte, é cientista, directora do iMM, prémio Pessoa em 2013, apontada como uma das maiores especialistas do mundo em malária. Maria Mota vai falar sobre o tema numa acção ligada ao programa Ciência Viva, na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. 

SEXTA-FEIRA - 8 JUNHO
18h Iniciativa: À Conversa Com 
Convidado: António Feijó
Local: Vila Real (Palácio de Mateus) 
Professor de Literatura, António Feijó, com raízes nortenhas, é também vice-reitor da Universidade de Lisboa. Uma das suas áreas de investigação tem que ver com o Modernismo português. Evocando os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa (13 Junho), Feijó faz uma introdução à obra do poeta, figura maior da cultura portuguesa. 

SÁBADO - 9 JUNHO
10h – 18h Iniciativa: Roteiro - Prémios Arquitectura do Douro
Convidado: Acção levada a cabo com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte.
Local: Região do Alto Douro Vinhateiro
Este roteiro tem cinco paragens, cinco edifícios assinados por nomes importantes da arquitectura portuguesa, e premiados. São eles: o Museu da Vila Velha (Belém Lima), a Adega Quinta do Portal (Siza Vieira), o Centro Cultural Miguel Torga (Souto Moura), o Museu do Côa (Camilo Rebelo e Tiago Pimentel) e Centro de Alto Rendimento do Pocinho (Álvaro Andrade). A intenção é convidar os autores dos edifícios a fazerem uma visita guiada aos mesmos. 

18h Iniciativa: À Conversa Com 
Convidado: Richard Zimler 
Local: Torre de Moncorvo
O escritor Richard Zimler nasceu nos Estados Unidos, é judeu, licenciou-se em Religiões Comparadas. Mudou-se para o Porto em 1990. Na localidade onde existiu uma importante judiaria, Zimler falará da cultura e religião judaica. 

Dia todo: Iniciativa: Oficina Fotografia - parte I
Convidado: António Sá 
Local: Freixo de Espada à Cinta
Radicado no nordeste transmontano há anos, António Sá é um fotógrafo que tem publicado com regularidade na revista National Geographic. A paisagem está muitas vezes no centro da sua objectiva. Numa oficina de dois dias, vai ensinar coisas básicas, como olhar, elaborar uma narrativa visual, além das questões técnicas que dizem respeito à fotografia. 

DOMINGO - 10 JUNHO
15h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Manuela Correia
Local: Tabuaço
O Principezinho de Saint-Exupéry é uma obra com várias camadas de leitura, dirigido a adultos e crianças. A psiquiatra Manuela Correia vai conversar sobre os mitos do livro, discutir as razões por que ele continua a fascinar-nos. 

SEGUNDA-FEIRA - 11 JUNHO
18h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Carlos Mendes de Sousa
Local: Sabrosa
Carlos Mendes de Sousa é professor da Universidade do Minho, especialista em literatura brasileira e em autores portugueses como Miguel Torga. Numa conversa acessível a todos, fará uma incursão na obra e no imaginário do autor dos Novos Contos da Montanha

21h30 Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Júlio Llamazares
Local: Sabrosa
Através de uma parceria com o Instituto Cervantes em Lisboa, pretende-se abordar o tema das relações entre Portugal e Espanha, o rio que nos une, e revelar identidades e talentos de um lado e outro da fronteira. O escritor espanhol Júlio Llamazares é autor de “Trás os Montes” e um grande contador de histórias.

TERÇA-FEIRA - 12 JUNHO
11h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: Ana Luísa Amaral
Local: São João da Pesqueira
Ana Luísa Amaral é professora da Faculdade de Letras do Porto e o seu último livro, Arder a Palavra e Outros Incêndios, foi publicado pela Relógio D’Água. Irá conversar sobre Sophia de Mello Breyner Andresen.

15h Iniciativa: Roteiro 
Convidado: Aquilino Machado
Local: Soutosa - Moimenta da Beira
O neto de Aquilino Ribeiro conduz uma visita guiada à Casa Museu de Aquilino, faz um mapa de uma geografia emocional e literária.
21.30 Iniciativa: À Conversa Com 
Convidado: Irene Flunser Pimentel
Local: Moimenta da Beira
Para falar sobre o tempo histórico de Aquilino, para fazer um retrato do que era então Portugal e a Europa, condição-chave para compreender o seu universo literário, convidámos a historiadora Irene Flunser Pimentel, galardoada com o Prémio Pessoa em 2007, destacada investigadora do Estado Novo e dos seus processos censórios.

QUARTA-FEIRA - 13 JUNHO
17h Iniciativa: Roteiro 
Convidado: António Carvalho 
Local: Murça
O director do Museu Nacional de Arqueologia vai fazer uma visita ao castro de Palheiros e à Porca de Murça, promovendo uma leitura do território. E que dizem de quem somos e da história daquele lugar os vestígios ali existentes? 

21.30h Iniciativa: À Conversa Com 
Convidado: Fernando Rosas
Local: Murça
No ano em que se assinalam os 100 anos do fim da Primeira Guerra, convidámos o historiador Fernando Rosas, professor catedrático da Universidade Nova, a falar da Europa e dos desenhos que ela conheceu ao longo do século XX. O soldado Milhões, herói da Primeira Guerra, natural de Murça, não poderá deixar de mencionado. 


QUINTA-FEIRA - 14 JUNHO
Dia todo Iniciativa: Oficina Desenho 
Convidado: António Jorge Gonçalves 
Local: São João da Pesqueira
Ensinar a desenhar no papel, ensinar a desenhar no computador, ensinar a desenhar com frutas! Podemos criar imagens em todos os suportes, diz o ilustrador António Jorge Gonçalves, colaborador habitual do suplemento Inimigo Público, autor da banda-desenhada As Aventuras de Filipe Seems e de livros como Desenhos Efémeros

18h Iniciativa: À Conversa Com
Convidado: José Luís Peixoto
Local: Torre de Moncorvo

SEXTA-FEIRA - 15 JUNHO
15h Iniciativa: Roteiro - Prémios Arquitectura do Douro
Local: Região do Alto Douro Vinhateiro
Acção levada a cabo com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte. A visitar, o Centro de Alto Rendimento do Pocinho (Álvaro Fernandes Andrade e Raquel).

SÁBADO - 16 JUNHO
11h Iniciativa: Roteiro - Prémios Arquitectura do Douro
Local: Região do Alto Douro Vinhateiro
Acção levada a cabo com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte. A visitar, o Museu do Côa (Camilo Rebelo e Tiago Pimentel). 

15h Iniciativa: Roteiro
Convidado: João Pinto Coelho
Local: Parque Arqueológico - Vila Nova de Foz Côa
João Pinto Coelho licenciou-se em Arquitectura, vive em Murça, é professor do ensino secundário. É também escritor e o mais recente vencedor do importante prémio Leya. Vai conduzir uma visita ao parque arqueológico do Côa.

22h Iniciativa: Espectáculo – desenho digital ao vivo projectado nas gravuras do Côa
Convidado: António Jorge Gonçalves, Filipe Raposo e Ana Brandão 
Local: Vila Nova de Foz Côa

DOMINGO - 17 JUNHO 
Dia todo: Iniciativa: Parada - Desfile - Animação de rua 
Convidado: Bandas Filarmónicas 
Local: Alijó - Pinhão 
Será um momento de festa, popular, com bandas de todos os municípios a desfilar e a interpretar algumas peças do seu repertório junto ao rio.


[Adaptado pela Relógio D’Água do programa do Festival Somos Douro.]

Sobre O Mosteiro, de Agustina Bessa-Luís




No âmbito da iniciativa Ano Agustina, mensalmente, ao longo de 2018, a Comunidade Cultura e Arte publicará uma crítica a um dos livros de Agustina Bessa-Luís, do catálogo reeditado pela Relógio D’Água.
No dia 29 de Abril foi publicado o texto de Lucas Brandão sobre «O Mosteiro»:


«As descrições que Agustina proporciona sobre o tempo, o espaço, as personagens e as circunstâncias entre estes três elementos enriquecem-se com o olhar atento e sentido de quem é do Douro. Algumas personagens partem, para rumos diversos e distintos, para lá da materialidade geográfica e metafísica. Ficam, porém, eternizadas na memória genealógica, retomada e recontada nos breves diálogos das personagens, pelas quais percorrem vibrações e seduções goradas e partidas. A roupagem dos anacronismos vêm o tempo seguir o seu natural decurso, aplaudindo no silêncio da emoção esquecida, do sentimento que nunca se tornou consolidado. A proeza do mosteiro permanece como o rosto de São Salvador, nas covas que o Douro saúda à distância do que banha. No seu interior, permanece também o lastro das estórias e histórias do espaço religioso, que dá fundamento a que a escrita de Belche, de formação académica aprumada e estrangeirada, se desenvolva, ao mesmo tempo que permanece nas encruzilhadas dos amores dispersos.» [Lucas Brandão, Comunidade Cultura e Arte, 29/4/18]

14.5.18

Sobre A Ciência das Sombras, de Bernardo Pinto de Almeida




«Na verdade, para o poeta de A Noite, a poesia tem um sentido ainda, não é um canto emudecido. Como refere numa entrevista recente a Luís Caetano, na Antena 2, BPA acredita que a palavra poética, se não pode salvar ninguém, não está ao serviço do mal ou da indigência. É, no limite, uma escrita contra a pobreza de um mundo que perdeu a magia o que ao lermos estes poemas se nos impõe. Viver pela poesia o que não se viveu nunca, projectar ficções, eis o que Bernardo Pinto de Almeida, seja através da quadra, ou cultivando o poema longo, o dístico ou a décima, edifica: uma voz heteróclita, estranha, em debate consigo mesma. 
É certo que BPA sabe bem quanto a pobreza da realidade é o assunto do poema, mas a sua estesia não lhe permite que, mesmo quando irónico, o mundo descambe (o mundo poético, claro) para territórios de onde a palavra não se eleva. Como escreve num dos mais belos poemas inéditos, que comparecem sob o título “O gato Iluminado”, dir-se-ia que no autor de A Ciência das Sombras, o poema encerra um saber oculto e antigo, esse que diz respeito às iluminações urgentes que Rimbaud quis ver ao exaltar a alquimia do verbo como alquimia da vida. Em “Segundo poema de Setembro” aquela criança que atravessa a tarde lentamente é um símbolo: é ainda a suprema ficção que líamos em Negócios em Ítaca, livro de 2011, ou um outro modo de dizer que o mundo é a única ilha a que a poesia pode aportar, como sugere Eduardo Lourenço no prefácio que abre esta belíssima edição.» [António Carlos Cortez, JL, 6/5/18]

11.5.18

Nas livrarias: O Corvo, de Edgar Allan Poe (traduções de Fernando Pessoa e Machado de Assis)





«O Corvo» de Edgar Allan Poe (1809-1849) foi publicado pela primeira vez em livro em 1845, pela editora norte-americana Lorimer Graham, numa versão que integrava correcções do autor. Poucos anos depois era já um dos mais conhecidos poemas da literatura norte-americana, sendo considerado um desafio por diversos tradutores, entre os quais se contaram Charles Baudelaire e, no caso da língua portuguesa, Fernando Pessoa e Machado de Assis.
Um dos problemas específicos do texto está no facto de o corvo, que certa noite visita o narrador mergulhado em livros de um «saber esquecido», emitir apenas a palavra Nevermore, que é enunciada no final de cada estrofe adquirindo de cada vez um sentido diverso.