22.1.18

Apresentação de A Ciência das Sombras, a 23 de Janeiro, na Casa Fernando Pessoa




O livro de poesia de Bernardo Pinto de Almeida, A Ciência das Sombras, vai ser apresentado a 23 de Janeiro, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, na Rua Coelho da Rocha, n.º 16, Campo de Ourique, em Lisboa.
O livro, com prefácio de Eduardo Lourenço e gravuras de Julião Sarmento, será apresentado por Osvaldo Silvestre.
Catarina Wallenstein e António Barahona lerão poemas.
Será mostrada ainda uma edição especial de 30 exemplares assinados do poema «Natal em Miami», de Bernardo Pinto de Almeida, com uma serigrafia original de Julião Sarmento.

A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se três inéditos, um de 1977 e dois de 2006.
Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006).

Bernardo Pinto de Almeida nasceu em 1954, no Peso da Régua.
Tem poemas editados em Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália e Bulgária.

Publicou vários livros.

19.1.18

A Ciência das Sombras — Apresentação, amanhã, 20 de Janeiro, no Teatro Nacional São João




O livro de poesia de Bernardo Pinto de Almeida, A Ciência das Sombras, vai ser apresentado amanhã, 20 de Janeiro, às 16h00, no Teatro Nacional São João, na Praça da Batalha, no Porto.
O livro será apresentado por António Guerreiro.
Emília Silvestre, João Luís Barreto Guimarães e Andreia C. Faria lerão poemas.
Será apresentada ainda uma edição especial de 30 exemplares assinados do poema «Natal em Miami», de Bernardo Pinto de Almeida, com uma serigrafia original de Julião Sarmento.
A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006.
Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006).
O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento, que o artista fez expressamente.
Bernardo Pinto de Almeida nasceu em 1954, no Peso da Régua.
Tem poemas editados em Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália e Bulgária.
Publicou vários livros.

Ana Margarida de Carvalho conversa sobre Pequenos Delírios Domésticos, hoje, na Arquivo, em Leiria



A chegar às livrarias: Arder a Palavra e Outros Incêndios, de Ana Luísa Amaral




«Neste primeiro grupo de ensaios, não irei tanto oferecer respostas quanto levantar hipóteses e questões que se prendem com os estudos feministas e a teoria queer, as relações entre género, sexo e sexualidades e conceitos como o corpo e a construção (e desconstrução) de identidades. O que me interessa é tentar entender como estas novas problematizações relativas à questão das identidades e do corpo são produtivas do ponto de vista literário, particularmente no que se refere ao fenómeno poético. São dois os problemas que aqui enunciarei: até que ponto podemos falar de uma identidade de mulher no texto poético; não será o poético (no sentido lato do termo) o espaço privilegiado para discutir a não-existência de uma identidade estável e, portanto, a metamorfose, sempre? Para desenvolver estas ideias, necessito, porém, de falar um pouco da evolução (e convivência hoje) de feminismos e da teoria queer, que se constituem numa relação crítica com uma série de novas formações e novas molduras sociais e culturais.» [Em «Dos Estudos Feministas à Teoria Queer: Algumas Reflexões»]

18.1.18

17.1.18

Conversa sobre Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais





Foi um anfiteatro repleto que assistiu ontem, dia 16, à conversa entre António Guerreiro e Maria Filomena Molder, a propósito do último livro desta autora, Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais.
A obra, recentemente destacada como o principal ensaio publicado em 2017 nas escolhas do jornal Público, reuniu no anfiteatro do Museu da Farmácia mais de 200 pessoas que durante duas horas assistiram a uma conversa que fez parecer acessíveis e até familiares autores como Kant, Walter Benjamin e Hölderlin.
A conversa abordou em particular as concepções filosóficas de Maria Filomena Molder, e as relações destas com a poesia e a literatura, a importância da perspectiva de Nietzsche e Hölderlin sobre a Grécia Antiga, a diferença entre o filósofo e o pensador, e a proximidade entre a cultura contemporânea e os mais antigos documentos literários, designadamente o Gilgamesh.


Sobre A Estrada, de Cormac McCarthy




«Este foi o livro que deu a McCarthy o Prémio Pulitzer e será talvez a sua obra mais aclamada, sendo certamente um dos melhores dentro do género de Ficção-Científica Apocalíptica. Sem nunca percebermos o que aconteceu ao mundo, a bela escrita do autor contrasta com o mundo devastado. As estradas não têm nome, nem os locais. O mundo não tem cor, apenas sangue, cinzas e medo, num cenário de céu e neve cinzenta. Apenas sabemos que as personagens dirigem-se para Sul, e nem elas sabem o que os aguarda nessa costa onde esperam que o mar ainda seja azul.» [Luís Pinto, blogue Ler y Criticar, 29/11/2017]


De Cormac McCarthy, a Relógio D’Água publicou também Filho de Deus, O Guarda do Pomar, Este País não É para Velhos, Suttree, Belos Cavalos, Meridiano de Sangue, Nas Trevas Exteriores, A Travessia, O Conselheiro e Cidades da Planície.

16.1.18

A Ciência das Sombras, Apresentado a 20 de Janeiro, no Teatro Nacional São João





O livro de poesia de Bernardo Pinto de Almeida, A Ciência das Sombras, vai ser apresentado a 20 de Janeiro, às 16h00, no Teatro Nacional São João, na Praça da Batalha, no Porto.
O livro será apresentado por António Guerreiro.
Emília Silvestre, João Luís Barreto Guimarães e Andreia C. Faria lerão poemas.
Será apresentada ainda uma edição especial de 30 exemplares assinados do poema «Natal em Miami», de Bernardo Pinto de Almeida, com uma serigrafia original de Julião Sarmento.

A Ciência das Sombras é uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida, publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006.
Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006).
O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento, que o artista fez expressamente.

Bernardo Pinto de Almeida nasceu em 1954, no Peso da Régua.
Tem poemas editados em Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália e Bulgária.
Publicou vários livros.

A chegar às livrarias: Uma Princesinha, de Frances Hodgson Burnett (trad. de Rita Carvalho e Guerra)




Quando o pai de Sara Crewe a traz da Índia para Londres e a inscreve na escola de Miss Minchin, ela não faz ideia de como a sua vida se irá alterar. Apesar de os seus privilégios se manterem inicialmente, a trágica morte do pai e a evolução dos seus negócios alteram tudo.
Numa inversão dramática da conhecida fórmula ficcional «pobre fica rico», Sara passa do privilégio à penúria em apenas um dia. Agora já não é uma princesa, mas uma pedinte, e depende apenas do poder da imaginação, do otimismo e da bondade que demonstra a estranhos para sair da situação em que se encontra.
Depois de ser expulsa do conforto do seu quarto, Miss Minchin encaminha-a para o seu novo lar: um sótão isolado, frio e desesperante. Terá, além disso, de desempenhar árduas tarefas de manutenção na escola.
Mas se a humildade, paciência e dignidade são virtudes a recompensar, será que Sara conseguirá reverter mais uma vez a sua situação?
Uma Princesinha é um drama intenso e intemporal sobre o poder transformador do pensamento e da imaginação.

«Um livro resplandecente, belo e encantador.» [New York Times]


«Uma Princesinha recria de forma exímia o efémero mundo da infância: um reino encantado onde tudo, até o faz-de-conta, é possível.» [Washington Post]

De Frances Hodgson Burnett, a Relógio D'Água editou também O Jardim Secreto.

A chegar às livrarias: A Ciência das Sombras, de Bernardo Pinto de Almeida





Uma recolha definitiva de todos os poemas de Bernardo Pinto de Almeida publicados entre 1975 e 2006, rescritos e apresentados de forma a constituírem um novo livro. Acrescentam-se aos livros antes publicados mais três inéditos, um de 1977 e dois de 2006. Fecha-se assim o ciclo de poemas anteriores ao livro A Noite (Relógio D’Água, 2006). O livro é acompanhado de um prefácio de Eduardo Lourenço e de oito desenhos de Julião Sarmento.

«O estranho de estar vivo

O estranho de estar vivo
é estar-se inundado de palavras,
não se acabar realmente com nada,
ter uma febre intensa
e uma estrela
muito alta.

O estranho de estar vivo é
caminhar de noite, insone, a nomear as coisas,
é nem sempre saber, diante da planta
o que é uma planta, diante da pedra
o que é uma pedra, diante de um homem
o que é um homem, ou o que possa ser.

O estranho de estar vivo é ter
palavras entre nós e as coisas
sem poder nomear. O estado mais puro
do estranho de estar vivo é
o tempo indiferenciado
do sonhar acordado.»

15.1.18

Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, Apresentado a 16 de Janeiro no Museu da Farmácia






O livro de ensaios de Maria Filomena Molder, Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, vai ser apresentado amanhã, 16 de Janeiro, às 18h30, no Auditório do Museu da Farmácia, na Rua Marechal Saldanha, n.º 1, em Lisboa (junto ao Miradouro de Santa Catarina).
A autora irá conversar com o crítico e ensaísta António Guerreiro.

A composição de Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais constitui uma amálgama, no sentido goethiano (alquímico). Os textos foram escritos entre 2003 e 2016, e a ordem não é cronológica.

Maria Filomena Molder é professora catedrática de Filosofia, FCSH, UNL.
Doutorou-se em 1992 com uma tese sobre «O Pensamento Morfológico de Goethe».
Escreve sobre problemas de estética para diversas revistas de filosofia e literatura, e sobre arte e artistas, para catálogos e afins.

As suas últimas publicações foram: Depósitos de Pó e Folha de Ouro (Lumme Editora), Rebuçados Venezianos (Relógio D’Água Editores; Prémio AICA/FCC 2017), As Nuvens e o Vaso Sagrado (Relógio D’Água Editores), O Químico e o Alquimista. Benjamin, Leitor de Baudelaire (Relógio D’Água; Prémio Pen-Clube 2011 para Ensaio).

Os Miseráveis em série televisiva





A BBC One e a Masterpiece vão adaptar para a televisão Os Miseráveis, de Victor Hugo, numa série de seis episódios.

A adaptação, de Andrew Davies, conta com os actores Dominic West, David Oyelowo, Lily Collins, Adeel Akhtar e Olivia Colman, entre outros. As filmagens deverão ter início em Fevereiro.

Em 2017, a Relógio D’Água publicou a obra de Victor Hugo em dois volumes.

12.1.18

Sobre Passagem para a Índia, de E. M. Forster




Eduardo Pitta escreve sobre «Passagem para a Índia, de E.M. Forster (1879-1970), o ensaísta e escritor inglês que marcou a primeira metade do século XX e viu muitos dos seus romances adaptados ao cinema. Passagem para a Índia foi um deles. O que talvez nem toda a gente saiba é que o romance foi considerado uma das cem obras-primas de sempre. Inspirado nas viagens que o autor fez à Índia e, em particular, na sua experiência (1921-23) como secretário pessoal do marajá de Dewas, Forster focou a sua obra ficcional mais ambiciosa nas convulsões pró-independência que já então abalavam o Raj britânico. O estranho incidente das cavernas de Marabar, envolvendo Adela e Aziz, serve de rastilho ao desenvolvimento da intriga. Ou seja, à explosão das tensões raciais entre colonizadores e colonizados. Não tendo ficado esclarecido se Adela sofrera um ataque de ansiedade generalizada ou apenas efeitos relacionados com eco e claustrofobia, a opinião colonial considerou Aziz culpado de agressão sexual. Que outra coisa, senão um agressor, podia ser um médico muçulmano? Adela está noiva do magistrado local, e o julgamento estabelece uma fractura irremediável. Confusa, Adela contradiz-se, acabando por concluir que tudo não passou de um equívoco. Em consequência, o noivado desfaz-se e ela marca viagem de regresso a Inglaterra. Chandrapore, onde tudo se passa, não existe (a cidade inspira-se em Bankipore), mas as suas características servem de metáfora do compound elitista em que se movem os ingleses: «Os indianos não podem entrar no Clube de Chandrapore, nem como convidados […] As pessoas entravam no Clube com uma calma estudada, à maneira da gente campestre passando entre duas sebes viçosas.» O fio condutor da história ilustra os limites das relações entre indianos e europeus. Homossexual oriundo da classe média e, nessa medida, ciente dos vários patamares sociais da Era Vitoriana, Forster — que foi por mérito próprio um dos Apóstolos de Cambridge — tem um apurado sentido do tema em pauta. Lembrar que, além de outros romances e ensaios, Forster é autor de Aspects Of The Novel, obra de 1927 ainda hoje de leitura obrigatória para quem queira escrever ficção literária.» [Eduardo Pitta, blogue Da Literatura, a propósito de crítica na revista Sábado, 11/1/2018]

De E. M. Forster, a Relógio D’Água publicou também Um Quarto com Vista.

Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, Apresentado a 16 de Janeiro no Museu da Farmácia




O livro de ensaios de Maria Filomena Molder, Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais, vai ser apresentado a 16 de Janeiro, às 18h30, no Auditório do Museu da Farmácia, na Rua Marechal Saldanha, n.º 1, em Lisboa (junto ao Miradouro de Santa Catarina).

A autora irá conversar com o crítico e ensaísta António Guerreiro.

11.1.18

Conferência Camões de Hélia Correia em Londres




No próximo dia 1 de Fevereiro, Hélia Correia dará uma conferência na Queen Mary, Universidade de Londres, intitulada «If a love story loses its words / Se uma história de amor perde as palavras».

A conferência, pronunciada pela vencedora do Prémio Camões 2015, contará também com a participação da tradutora Annie McDermott.

Sobre Benito Cereno, Bartleby, Billy Budd, de Herman Melville (trad. de Frederico Pedreira, José Miguel Silva, José Sasportes)




«O volume agrupa três novelas de Melville que ganharam estatuto de  “clássicos”: Benito Cereno (1855), Bartleby, o escrivão (1853) e Billy Budd, deixada incompleta quando da morte do escritor, em 1891, e publicada postumamente.
Bartleby é a obra-prima do trio: é narrada por um advogado que contrata um escrivão que, embora sendo competente e aplicado, começa a revelar comportamentos desconcertantes — recusa cumprir o que lhe é solicitado com um lacónico “preferia não o fazer” e, embora se ocupe de cada vez menos tarefas, começa a viver a tempo inteiro no escritório. (…)
Billy Budd passa-se num navio de guerra britânico em 1797 e tem por personagem central um marinheiro generoso e inocente — Billy Budd — lançado “num mundo onde não faltavam as ratoeiras e contra as quais a simples coragem tem pouco valor quando não está aliada à experiência, à habilidade trapaceira e a essa fealdade inerente à capacidade de defesa”. (…)
Benito Cereno é também uma história trágico-marítima, tem lugar na mesma época — 1799 — e foi decalcada de um relato verídico de um capitão de um baleeiro americano, que se cruzou com um navio espanhol cuja “carga” de escravos se tinha amotinado.»[José Carlos Fernandes, Time Out Lisboa, 10/1/2018]


De Herman Melville a Relógio D’Água editou também Moby Dick e As Ilhas Encantadas(em edição individual e em conjunto com Arquipélago das Galápagos, de Charles Darwin).

10.1.18

Sobre H. G. Cancela




«Há dois anos descobri a escrita de Helder G.Cancela, com o seu romance Impunidade. É importante frisar a qualidade da sua obra, pois, por motivos inexplicáveis, ela não está no roteiro dos autores de que mais ouvimos falar e constitui um dos mais interessantes livros que li ultimamente. Possui uma rara capacidade de (nos) tocar através da abordagem dos grandes problemas contemporâneos da identidade europeia (a história passa-se em Espanha e foca-se na personagem de um rapaz filho de uma espanhola e de um marroquino), a violência dos jovens europeus de segunda geração, face à cultura e aos costumes da Europa Ocidental. Cancela é um autor visionário, nesse sentido, que faz a diferença, relativamente aos escritores da sua geração. Professor de Estética e de Filosofia, a sua escrita encontra-se eivada de uma profunda capacidade de reflexão que se alia à sua extraordinária escrita, escorreita e sem artifícios, poderosa e imagética.» [Maria João Cantinho, Revista Pessoa, 2017-09-10]

De H. G. Cancela a Relógio D'Água editou também As Pessoas do Drama.

9.1.18

Sobre Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa, de Alexandre Andrade




«O modo como o autor articula os feitos de bravura e virtude dos cavaleiros, fazendo do mesmo passo a sua exegese e contextualização na história da literatura ocidental, dá a medida certa do seu imenso talento. O contraste entre os “episódios de heroísmo desinteressado” e a paisagem duma “Lisboa venal, medíocre e contemporânea” não podia ser mais nítido, nem mais irónico. Aos poucos, os relatos fragmentam-se (“Tudo se explicava, tudo se compunha, e ao mesmo tempo tudo voava em estilhaços”) e os vários planos coalescem, com mão de mestre. Quem sabe se o Graal não acabará na Margem Sul, testemunha de um amor que se cumpre através de uma palavra não dita?» [José Mário Silva, Expresso, E, 6/1/2018]

Ana Margarida de Carvalho na Biblioteca de São Domingos de Rana





Ana Margarida de Carvalho é a convidada da terceira sessão do 2.º Ciclo de Encontros com Escritores «O Escritor no Seu Labirinto» organizado pela Biblioteca de São Domingos de Rana.
A escritora falará dos seus livros e do trabalho da escrita: as temáticas e as obsessões, as influências literárias e os rituais de escrita, os enredos e as personagens, as fontes de inspiração e a função da literatura.

O encontro realiza-se no próximo sábado, 13 de Janeiro, às 16:00, na Biblioteca de São Domingos de Rana.

Sobre A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne




«Vamos apostar que Phileas Fogg, um gentleman (very very british), vai conseguir dar a volta ao mundo em apenas 80 dias? Numa verdadeira luta contra o tempo vive inúmeras peripécias, atravessa vários países e continentes, usa como meio de transporte o barco, o comboio, e conhece povos muito diferentes. E conta com o fiel criado francês, o famoso Passepartout, para o ajudar (ou atrapalhar?).» [Agenda Cultural de Lisboa]

8.1.18

Sobre Lincoln no Bardo, de George Saunders





«Celebrado como contista, George Saunders estreou-se no romance com Lincoln no Bardo. Em registo tardo-modernista, o livro ficciona a depressão sofrida por Abraham Lincoln após a morte do terceiro filho. A sintaxe desconcerta, a filiação à literatura do absurdo obscurece por vezes a narrativa, mas o leitor deixa-se levar pelos fantasmas que assombram a obra.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito dos melhores livros estrangeiros de 2017, 28/12/2017]

Sobre George Steiner em The New Yorker




«Seguir o raciocínio de George Steiner, o último renascentista vivo, releva do puro prazer. A selecção de 28 ensaios publicados na revista New Yorker, entre 1967 e 97, corroboram o papel central do autor no pensamento crítico dos últimos 60 anos. Soljenítsin, Orwell, Céline, Borges, Chomsky, Brecht, o caso Anthony Blunt visto sob nova luz, etc., são dissecados com a ‘força bruta de inteligência’ com que Steiner agarra o leitor da primeira à última página.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito dos melhores livros estrangeiros de 2017, 28/12/2017]

Em entrevista concedida a Ana Sousa Dias, no DN, o escritor espanhol Vila-Matas afirma-se impressionado com a obra de Gonçalo M. Tavares






«[Enrique Vila-Matas:] Leio muito autores obsessivos, são os que me interessam mais. Os mundos de Thomas Bernhard, de Kafka, de Lobo Antunes, de Tavares…

[Ana Sousa Dias:] Gonçalo M. Tavares?


[Enrique Vila-Matas:] Sim, leio-o muito, li-o deste o princípio. Tenho praticamente todos os livros, num corredor, e sempre que passo por lá vejo toda a obra dele. Impressiona-me muito. Há um caso parecido, o de César Aira, da Argentina Também tem muitos livros acumulados e muito interessante como autor. É a fórmula de Simenon.» [DN, 11/12/2017]

5.1.18

Eduardo Pitta escreve sobre Pequenos Delírios Domésticos






«Depois do universo distópico que caracteriza o seu segundo romance (obra que a levou a bisar o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores), a autora regressa ao real com este livro de contos que leva por título um verso “roubado” a Sérgio Godinho. À laia de prefácio, Chão zero dá testemunho da devastação que assolou o país durante os incêndios de Outubro: «A minha infância é um esgoto atravancado de detritos.» A casa dos bisavós perdida num mar de cinza. Com invulgar economia retórica, e muita eficácia, a frase-síntese diz tudo. Um poema da autora, Apfelstrudel, separa esse texto de abertura do resto do livro. Estamos agora no centro das periferias desapossadas: os prédios-gaiola com as suas «vidraças enjauladas» e toda a panóplia Kitsch que dá cor à miséria dos que têm abertura de telejornal garantida, esse microcosmo de onde por vezes saem voluntários para as madrassas do ódio. Manuel, ou Man-hu-el (o rapaz convertera-se), foi um deles. A Síria pareceu-lhe uma boa solução para virar costas à disfunção familiar. Era isso ou continuar «aos caídos, a arrumar carros, a assaltar velhotas pensionistas para pagar a próxima dose…» Mas na hora da verdade faleceu-lhe a certeza. E o Chico também não foi capaz. O desfecho é absolutamente português. Não deixa de ser uma ironia que o adjectivo «domésticos» surja no título de um livro cujos primeiros contos estão focados em problemas de natureza planetária, tais como a tragédia das migrações e seus efeitos colaterais. Homens e mulheres, aos milhares, que o Mediterrâneo vai engolindo, depois de terem fugido da guerra, da fome, da escravidão, de toda a sorte de abusos e violências. A ilusão da terra prometida foi-lhes fatal: «E alguns, fiados nesse doce rugir da indulgência, deixam-se ir…» O conflito entre Israel e a Palestina não é esquecido. Ana Margarida de Carvalho tem uma prosa limpa, fluente em vários registos, dotada de vocabulário anterior ao regime tuiteiro. Sirvam de exemplo contos como Uma Vida em Centrifugação ou, mais denso, Os Elefantes Têm Sismógrafos nos Pés.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica publicada na revista Sábado, 28/12/2017]

Sobre A Princesa de Clèves, de Madame de Lafayette




«A Princesa de Clèves é um clássico da literatura, agora publicado em nova tradução. Surgido em 1678, anonimamente, conta-nos a vida na corte francesa dos Valois — onde parecem apenas deambular “belas mulheres”, e homens “admiravelmente constituídos” — nos últimos anos do reinado de Henrique II. A sua autora, Madame de Lafayette (n. 1634), nascida numa família nobre, possuidora de uma sólida instrução, privou com inúmeras figuras da corte, e frequentou salões culturais, como era moda — tendo criado também o seu, em Paris, onde recebia figuras como La Fontaine ou La Rochefoucauld. Como romance histórico, mostra também o papel das mulheres na vida cultural do século XVII. (…)
Se antes da publicação de A Princesa de Clèves as personagens não agiam para se analisar — ou melhor, a acção como que parava enquanto as personagens se explicavam, ou então isso não servia para a fazer progredir — com Madame de Lafayette e este seu romance essa introspecção, essa análise de motivações da acção de agir, torna-se no próprio mecanismo de progressão da narrativa, e é para ele material preciso e necessário.» [José Riço Direitinho, Público, ípsilon, 5/1/2018]

Nas livrarias: A Família Golovliov, de Saltykov-Shchedrin




Intensamente quente no Verão e fria no Inverno, a herdade da família Golovliov é o final do caminho. É lá que Arina Petrovna comanda os em- pregados e a família — até ceder o poder ao seu filho Porfírio. Um dos monstros mais memoráveis da literatura mundial, Porfírio é o perfeito hipócrita e maquinador que ataca sem remorsos aqueles que dele se aproximam. Mas no final até ele se revela incapaz de resistir a Golovliovo.

«… o grande romance A Família Golovliov, o mais sombrio e implacável exemplo de comédia negra na literatura russa do século XIX.» [V. S. Pritchett]


«A linhagem que começa com Dostoievski, passa por Shchedrin e chega a Hamsun é visível. Assim considerado, A Família Golovliov, um livro estranho e áspero, cujas personagens a um tempo sofrem a doença do nada e aspiram a ela, um livro que é por vezes uma ampla sátira, outras um livro de terror gótico, e outras ainda um anti‑romance, torna‑se cada vez mais moderno com a passagem do tempo.» [James Wood]

Conflito Interno, de Kamila Shamsie, considerado livro do ano por vários jornais e revistas internacionais





Algumas das distinções recebidas pelo último romance de Kamila Shamsie, recentemente editado pela Relógio D’Água:
— Seleccionado para a shortlist do Costa Novel Award 2017
— Seleccionado para a longlist do Man Booker Prize 2017
— Livro do Ano 2017 no The Guardian
— Livro do Ano 2017 no The Observer
— Livro do Ano 2017 no The Telegraph
— Livro do Ano 2017 na New Statesman
— Livro do Ano 2017 no Evening Standard
— Livro do Ano 2017 no The New York Times

Isma está livre. Criou os seus irmãos gémeos após a morte da mãe e agora pode regressar ao sonho que há muito interrompera — estudar na América. Mas não consegue deixar de se preocupar com Aneeka, a bela e obstinada irmã que vive em Londres. Ou com Parvaiz, o irmão que desapareceu em busca do próprio sonho — provar a si mesmo que é herdeiro do legado jihadista do pai que nunca conheceu.
Depois Eamonn entra na vida das irmãs. Bem-parecido e privilegiado, vive em Londres, num mundo diferente. Filho de um poderoso político muçulmano britânico, Eamonn tem um legado a defender — ou a desafiar.
O destino das duas famílias está inextricavelmente ligado.
Conflito Interno é uma história sobre lealdades que não resistem à colisão entre amor e política e confirma Kamila Shamsie como uma grande escritora dos nossos tempos.

4.1.18

Nas livrarias: Petersburgo, de Andrei Béli (trad. Nina Guerra e Filipe Guerra)





A história de Petersburgo decorre no Outono de 1905 e inclui reaccionários, niilistas, uma tentativa de parricídio e uma bomba escondida numa lata. No entanto, a personagem principal é mesmo a cidade que dá título ao romance. No coração do livro está a questão que durante gerações tem atormentado os russos: a identidade nacional.

«As grandes obras em prosa do século XX são, por esta ordem, o Ulisses de Joyce; A Metamorfose de Kafka; Petersburgo de Béli, e a primeira metade do conto de fadas Em Busca do Tempo Perdido de Proust.» [Vladimir Nabokov]

«Andrei Béli é um poeta de primeira ordem e o autor mais admirável ainda das Sinfonias em prosa, de O Pombo de Prata e de Petersburgo, romances que, antes da Revolução, operaram nos seus contemporâneos uma radical mudança de gostos, de onde jorrou a primeira prosa soviética.» [Boris Pasternak]

«A literatura do período entre as duas revoluções (1905-1917), decadente no seu humor e no seu alcance, extremamente refinada na sua técnica, uma literatura do individualismo, do simbolismo e do misticismo, encontrou em Béli (Branco) a sua expressão mais alta e, ao mesmo tempo, mais directamente prejudicada pela Revolução de Outubro. Béli acredita na magia das palavras.» [Lev Trotsky]

«Um romance que resume a Rússia inteira.» [Anthony Burgess]

«Um homem de percepções estranhas e inauditas — um homem mágico e, na tradição da ortodoxia russa, um louco sagrado.» [Isaiah Berlin]

«O romance Petersburgo, seja qual for o modo como se aborda a sua con- cepção, é um acontecimento imenso na história da prosa russa…» [Ilia Ehrenbourg]


«O romance russo mais importante, mais influente e mais perfeito do século XX.» [New York Review of Books]

Sobre A Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein




«Pelo salão de Gertrude Stein, em Paris, passavam Picasso, Cézanne, Matisse, Gris, Apollinaire, Cocteau, Pound, Hemingway, Fitzgerald. “Os génios vinham para conversar com Gertrude e as mulheres faziam sala comigo”, diria Alice B. Toklas, companheira da escritora. Muitas histórias da fervilhante vanguarda parisiense do princípio do séc. XX tornam particularmente apetecível A Autobiografia de Alice B. Toklas, um olhar autobiográfico sobre a existência da escritora norte-americana que se fixou em Paris, em 1903, de regresso com o irmão à cidade onde nascera.» [JL, 6/12/17]

Sobre Pequenos Delírios Domésticos, de Ana Margarida de Carvalho




Ana Margarida de Carvalho conversa com Ana Daniela Soares, no programa À Volta dos Livros, sobre o seu livro de contos Pequenos Delírios Domésticos. O programa pode ser ouvido aqui.

3.1.18

Maria Filomena Molder em entrevista, a propósito do lançamento do seu livro «Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais»





«Na Filosofia podemos entrar nas coisas antes de as ter vivido e escrever sobre elas, pensá-las, ou é preciso esperar para pôr lá a pele e então começar?

É capaz de ser possível admitir os dois casos. Penso que em Filosofia a tendência é antecipar, com muitos riscos, porque pode cair na desonestidade, pode entrar numa retórica imaginativa aparentemente muito rigorosa, que desemboca numa espécie de vazio. Nos casos melhores isso não acontece. Por exemplo: penso em Kant, em relação à arte. Apesar de tudo aquilo que ele diz sobre arte estar assente numa experiência pobríssima no que se refere ao contacto e ao exercício diário e ao amor pela arte, ele consegue dizer coisas sobre a arte que muitas pessoas que têm muita experiência dela nunca conseguiriam dizer. Isto é um poder filosófico. É o poder da antecipação compreensiva. Vendo pouco e vendo mesmo o que não é o melhor, ele consegue perceber a condição interna daquilo, perceber a relação connosco. Isso é extraordinário. Mas há casos em que o autor, estou a pensar em Nietzsche, é um viajante. Abandonou tudo: abandonou a universidade, abandonou a casa, para além da casa dos pais nunca chegou a ter casa fixa, e toda a vida se tornou um viajante, um amigo do movimento, de andar. É muito profunda a relação dele com a natureza, e também com a arte, com a literatura... Ele leu tudo o que havia para ser lido do ponto de vista literário, quer poesia, quer romance, quer filosofia, quer textos de natureza científica, e tudo absorveu para aquilo a que queria chegar. Aí eu acho que há sempre uma antecipação no sentido: há uma pré-orientação da nossa vida que não foi feita por escolha, e essa pré-orientação ou é preenchida ou não é preenchida, conforme nós fazemos isto ou fazemos aquilo. À antecipação tem de estar ligado uma capacidade de ser afectado muito, muito, muito profunda.
(…)

Isso está ligado a um tema que aparece muitas vezes no que escreve: a alegria contraposta à lucidez? É um tema que lhe é caro?

Sim, é muito caro. Nós não podemos ignorar a escuridão, o deserto, os perigos, o terror da vida. Acho que a Clarice Lispector foi quem melhor percebeu isso, porque diz que pelo menos, e é tudo podemos aceitar isso. Não podemos deitar fora a condição, ou libertarmo-nos dela, mas podemos aceitá-la, e daí pode vir um sentimento, uma emoção forte, de alegria. A mortalidade é inevitável, mas nós podemos amar a vida enquanto mortais.

É mais fácil escrever sobre isso do que viver assim?

Sem dúvida. É mais fácil escrever. No entanto também podemos exercitar a alegria. O Alain ensina muito. Por exemplo: se estamos muito acabrunhados, tentemos fazer assim [ergue os ombros]. Não evita que fiquemos acabrunhados e que entremos em angústias tremendas: como é que se pode evitar? Tínhamos um condão qualquer, uma chave que mais ninguém tinha... Voltando ao escrever e viver: há pessoas que têm mais dificuldades do que outras em aceitar que são mortais, mas ninguém aceita muito bem. E tudo depende disso, a nossa vida toda depende disso, de sermos mortais. Muito se escreveu sobre isso e se continuará a escrever, mas escrever não é viver. Não tem nada a ver. A Clarice Lispector era, por aquilo que se lê nos seus livros e por coisas autobiográficas e biográficas, uma pessoa extremamente poderosa, atacada por uma angústia sem fim. O esforço que ela fazia, na escrita e na vida, para, de alguma maneira, dar forma àquela angústia, transformá-la noutra coisa, é como tirar de um mal um bem, ou descobrir que nesse mal há um bem. Se não tivéssemos febre não percebíamos certas doenças que temos. Não sei se se pode extirpar a angústia da nossa vida, desconfio que não. Como diz o Kierkegaard, que é um autor que eu não estudo muito: "A angústia faz-nos dançar.”» [Maria Filomena Molder em entrevista a Mariana Pereira, DN, 30/12/17, texto completo em https://www.dn.pt/artes/interior/a-vida-que-nao-e-digna-de-ser-vivida-tem-de-cessar-9016637.html ]