20.10.17

A chegar às livrarias: Drácula, de Bram Stoker (trad. Ana Falcão Bastos e Cláudia Brito)





A mais famosa história de vampiros foi publicada pela primeira vez em 1897 e, desde então, nunca mais deixou de assombrar gerações de leitores rendidas aos diabólicos encantos do conde Drácula, uma das personagens mais inesgotáveis do imaginário literário e cinematográfico.
A atmosfera que rodeia o castelo desta figura misteriosa na Transilvânia transtorna o jovem advogado Jonathan Harker, que chega àquela região dos Cárpatos para dar apoio numa transação relativa à aquisição de uma casa em Londres, para onde o conde pretende mudar-se. Depressa testemunha estranhos acontecimentos que o levam a suspeitar que o conde não é humano e a temer pela própria vida.
São também intrigantes os preparativos do conde para a mudança, que envolvem o transporte de várias caixas cheias de terra da sua região natal.
Pouco depois, em Inglaterra, Lucy Westenra, amiga da noiva de Jonathan Harker, é acometida por uma estranha doença que parece deixá-la exangue.

Sentindo-se incapaz de a tratar sozinho, o médico chama o doutor Van Helsing, seu antigo professor. É este holandês que vai descobrir a causa da doença de Lucy e liderar o pequeno grupo de amigos que irá perseguir Drácula e tentar travar os seus planos.

19.10.17

A chegar às livrarias: A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne (trad. de Pedro Ventura)





Phileas Fogg, um gentleman inglês, aposta com os membros do seu clube, o Reform Club, que será capaz de dar a volta à Terra em 80 dias.
Decidido a vencer a aposta, parte imediatamente com o seu criado Jean, um desenvolto parisiense conhecido por Passepartout. Da imprensa britânica só o Daily Telegraph acredita nas suas possibilidades. Tem de estar de regresso a Londres no dia 21 de dezembro de 1872, sábado, às oito horas e quarenta e cinco da noite. 
Suspeito de ser o audacioso ladrão do Banco de Inglaterra, Phileas Fogg vai ser perseguido ao longo da viagem pelo detetive Fix, que não consegue prendê-lo, pois o respetivo mandado de detenção chega sempre demasiado tarde…
Os diferentes países que atravessa, as suas variadas aventuras, os estratagemas usados para vencer os inúmeros obstáculos, o modo como Phileas Fogg luta contra o tempo sem perder a fleuma britânica, as singulares personalidades de Passepartout e do detetive Fix fazem deste romance um dos melhores de Jules Verne e um dos mais populares desde o seu surgimento em 1873.


De Jules Verne, a Relógio D’Água publicou também Viagem ao Centro da Terra e Vinte Mil Léguas Submarinas.

18.10.17

Lançamento de Livro de Noemi Jaffe




O livro O Que os Cegos Estão Sonhando?, da romancista brasileira Noemi Jaffe, vai ser lançado no próximo dia 20 de Outubro, pelas 19:00, na Livraria Ferin, em Lisboa.
Gonçalo M. Tavares irá conversar com a autora.
Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazis e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado: a captura pelos alemães, o quotidiano no campo, as transferências para outros locais de trabalho, mas também a experiência da libertação, a saudade dos pais e a redescoberta da feminilidade.
Esse diário — hoje depositado no Museu do Holocausto em Jerusalém e que, traduzido diretamente do sérvio, tem aqui a sua primeira publicação mundial — foi o ponto de partida para este livro absolutamente incomum, escrito e organizado por Noemi Jaffe. Em O Que os Cegos Estão Sonhando?, há três gerações de mulheres da mesma família que se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso — tão imprescindível quanto vão — de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, erguer uma defesa “contra a brutalidade do real”.

Lincoln no Bardo vence Booker Prize





O romance de George Saunders Lincoln no Bardo ganhou ontem o Man Booker Prize, o mais importante prémio literário depois do Nobel.
George Saunders, escritor norte-americano nascido em 1958, tornou-se conhecido pelos seus livros de contos, inicialmente publicados em revistas como a The New Yorker ou a Harper’s Bazaar. Por estas publicações recebeu por quatro vezes o National Magazine Award.
Posteriormente reuniu os seus contos em várias antologias, duas das quais — Pastoralia e Dez de Dezembro — foram publicadas em Portugal.
George Saunders é também autor de um volume de ensaios, The Braindead Megaphone, saído em 2007.
Lincoln no Bardo, editado pela Relógio D’Água em Julho de 2017, com tradução de José Lima, foi o seu primeiro romance, distinguindo-se, como a sua obra anterior, por uma nova forma de entender a literatura e trabalhar a linguagem, permitindo ao leitor alcançar emoções únicas irrepetíveis. Na medida em que luta contra as antigas formas de expressão literária, característica dos mais inovadores romancistas contemporâneos (Karl Ove Knausgård, Zadie Smith, Cormac McCarthy), Lincoln no Bardo ocupa um dos lugares mais destacados na ficção actual.
Da longlist e da shortlist do Booker Prize fizeram parte obras como The Ministry of Utmost Happiness, de Arundhati Roy, 4 3 2 1, de Paul Auster, Exit West, de Mohsin Hamid, Home Fire, de Kamila Shamsie, Swing Time de Zadie e Autumn de Ali Smith.

Lincoln no Bardo é o primeiro romance de George Saunders. Nestas páginas, o autor revela-nos o seu trabalho mais original, transcendente e comovedor. A ação desenrola-se num cemitério e, durante apenas uma noite, a história é-nos narrada por um coro de vozes, que fazem deste livro uma experiência ímpar que apenas George Saunders nos conseguiria dar.
Ousado na estrutura, generoso e profundamente interessado nos sentimentos, Lincoln no Bardo é uma prova de que a ficção pode falar sobre as coisas que realmente nos interessam. Saunders inventou uma nova forma narrativa, caleidoscópica e teatral, entoada ao som de diferentes vozes, para nos fazer uma pergunta profunda e intemporal: como podemos viver e amar sabendo que tudo o que amamos tem um fim?

17.10.17

Sobre «Sobre a Tirania», de Timothy Snyder




«Snyder vislumbra no seu país tendências e tentações que visam minar os controlos democráticos que impedem que haja poder absoluto, isto é, tirania. As referências a um nunca nomeado Donald Trump são recorrentes ao longo deste livro de estilo bem anglossaxónico (que é como diz sem palha), cujo conteúdo tem um alcance bem mais vasto do que o da atual presidência americana.» [In Expresso. Texto completo em http://expresso.sapo.pt/cultura/2017-07-01-Combata-a-tirania-antes-que-seja-tarde ]

16.10.17

Obra de Agustina Bessa-Luís na Cinemateca





Em colaboração com a Relógio D’Água, a Cinemateca Portuguesa dedica a rubrica História Permanente do Cinema Português à relação da escritora Agustina Bessa-Luís com o cinema.
Com a exibição de dois filmes que adaptam a obra da escritora — Francisca, de Manoel de Oliveira, e A Corte do Norte, de João Botelho —, hoje, 16 de Outubro, o dia seguinte ao do seu aniversário, a Cinemateca associa-se à editora Relógio D’Água e às iniciativas promovidas em torno da comemoração dos 95 anos de Agustina, a propósito do relançamento de toda a obra da autora. Iniciativas que incluem ainda a preparação de uma biografia da escritora, leituras e debates na Livraria Lello e uma exposição de fotografias sobre o seu Douro.

A chegar às livrarias: Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, de Philip K. Dick





Em finais do século XXI, num mundo superlotado e repleto de colónias espaciais, o tédio pode ser ultrapassado recorrendo à droga Can-D, que permite aos seus utilizadores habitarem um mundo ilusório partilhado.
O industrial Palmer Eldritch regressa de uma viagem interestelar, traz consigo uma nova droga alienígena, a Chew-Z, bastante mais poderosa do que a Can-D. Mas, como qualquer droga, esta revela um poderoso efeito secundário, que ameaça mergulhar o mundo num estado permanente de ilusão controlada pelo misterioso Eldritch.

«O mais consistente escritor de ficção científica do mundo.» [John Brunner]


«Para todos os que se sentem perdidos nas múltiplas realidades do mundo moderno lembrem-se: Philip K. Dick foi o primeiro a chegar a elas.» [Terry Gilliam]

13.10.17

O Construtor, a partir de Jaime Rocha, na Quinta da Regaleira





Estreia hoje, no Auditório da Quinta da Regaleira, o espectáculo O Construtor, a partir da peça homónima de Jaime Rocha, nunca representada em Portugal.
A visão desapaixonada (a um tempo cómica e absurdamente trágica) da peça de Jaime Rocha, escrita em 1998, mantém intacta a sua actualidade, numa Europa a tentar reerguer-se da recessão dos mercados financeiros, do desemprego jovem galopante, do recrudescimento do terrorismo ou, a debater-se com uma crise humanitária sem precedentes, decorrentes do fluxo migratório resultante da chamada Primavera Árabe.
O texto de Jaime Rocha aborda, metaforicamente, todos estes tópicos, que se materializam no espectáculo dirigido por Paulo Campos dos Reis.
A peça conta com a interpretação de : Filipe Araújo, João Brás, Miguel Moisés, Patrícia Cairrão, Ricardo G. Santos, Suzana Branco e Virgínia Brito e estará em palco até 16 de Dezembro de 2017.

A Relógio D’Água publicou dois livros de textos dramáticos de Jaime Rocha: O Jogo da Salamandra e Outras Peças e Azzedine e Outras Peças.

A chegar às livrarias: Fanny Owen, de Agustina Bessa-Luís (prefácio de Hélia Correia)





«Não significa tal que este livro não arda. O que acontece dentro é um desses fenómenos cuja potência afunda um continente ou levanta das cinzas uma ilha. Pois nele se realiza aquele encontro, proibido pelas leis do devir físico, entre Camilo Castelo Branco e Agustina. Este, sim, é um encontro de alto risco. Se a sua grandeza não fosse de maneira a obrigar-nos a guardar a distância, mandaria a prudência que a guardássemos.
«(…) Está claro que teriam de nascer em dois tempos diferentes, pois a coexistência arrastaria um desastre, no sentido sideral desta palavra. Ainda assim, a relação entre eles é turbulenta, visceral, excitante. Vê-se o quanto Agustina admira o homem, como o entende, como o desmascara, como se irrita quase que domesticamente com as suas fraquezas de carácter. Se existe um par na literatura é este, não a Sand e o Musset, a quem o próprio espectáculo do amor prejudicou.» [Do Prefácio de Hélia Correia]

12.10.17

Sobre Flannery O'Connor





«A literatura de Flannery O’Connor visa desestabilizar a respeitável audiência moderna que pensa que Deus está morto.
Os grandes mestres da fé podem ser completamente inesperados. Pense-se em Flannery O’Connor, que muitos têm como um dos nomes fundamentais da literatura contemporânea, mas que se espantariam que dela se dissesse o que também é indiscutível: que foi uma das grandes vozes espirituais do século XX. Em português estão editados os seus romances e contos, e apenas um pequeno caderno espiritual intitulado “Um Diário de Preces”. Faz falta a publicação dos seus ensaios e do volumoso conjunto de cartas, para termos uma visão unitária do seu projeto. Esses textos demonstram como e porquê Flannery explicou de si mesma: “Leio imensa teologia, porque isso torna as minhas páginas mais audazes.” De facto, ela recenseou, ao longo dos anos, larguíssimas dezenas de livros de teologia, de Karl Barth a Romano Guardini, de Yves Congar a Henri Délaniou ou a Maritain, dialogando com o seu pensamento. Definiu-se sempre como uma “tomista rural”, que precisava de ler Tomás de Aquino todos os dias vinte minutos antes de ir para a cama. Numa carta de 1955, ela divertia o seu correspondente imitando desta maneira o estilo da “Summa Theologica”_ “Se a minha mãe viesse ter comigo durante a leitura e pedisse, ‘Apaga a luz. É tarde’, eu, como o dedo levantado e expressão beatífica, replicaria: ‘A luz sendo eterna e ilimitada não pode ser apagada. Fecha tu os olhos.’
Mas de beatífica, no sentido trivial, O’Connor tinha pouco.
(…)
Ela desdenhava a linguagem piedosa e a obsessão do moralismo causava-lhe verdadeira repulsa. A uma leitora católica que lhe escreveu manifestando o desagrado pela falta de elevação dos seus contos macabros, ela respondeu: “Se você tivesse o coração no sítio certo, os meus contos tê-la-iam elevado.”
Interessava a Flannery O’Connor ampliar a autoconsciência do leitor, mesmo que fosse preciso dinamitar os lugares-comuns onde este se instala e arrancá-lo violentamente das suas falsas seguranças, pois só desse modo poderia levá-lo a uma abertura à experiência religiosa. As suas histórias, que muitos consideravam (e ainda consideram) brutais e duras, abordam a natureza conflitual do encontro com a Graça, em personagens que não parecem dispostas a acolhê-la.»
[José Tolentino Mendonça, E, Expresso, 6/10/17]

De Flannery O’Connor a Relógio D’Água publicou Um Diário de Preces, O Céu É dos Violentos, Um Bom Homem É Difícil de Encontrar e Outras Histórias e Tudo O Que Sobe Tem de Convergir.

Orlando no Centro Cultural de Belém




A Grande Vaga de Frio, com interpretação de Emília Silvestre e dramaturgia de Luísa Costa Gomes a partir da tradução de Ana Luísa Faria de Orlando, de Virginia Woolf, estará em cena nos dias 12, 13 e 14 de Outubro no Centro Cultural de Belém.



Carlos Pimenta, responsável pela concepção e direcção, diz sobre o espectáculo: «O teatro faz-se de prazeres, e, também, de desafios, e sabemos que Orlando encerra vastas questões que suscitam apetecíveis abordagens: o tempo, a realidade e a ficção, a questão do género, a questão transgénero, a emancipação da mulher, a crítica a uma certa literatura inglesa, a censura ao puritanismo vitoriano, etc., etc. Para nós A Grande Vaga de Frio é tudo isto e, também, o gosto de poder construir um espectáculo de teatro na expectativa de que o público nele se encontre e dele se aproprie.
Durante o trabalho que fizemos até aqui chegar fomos constatando que A Grande Vaga de Frio se autonomizava de Orlando. E isso era bom de verificar. A dramaturgia de Luísa Costa Gomes emancipava-se e acrescentava ao(s) tema(s) novas possibilidades. A descoberta das mesmas durante o processo de ensaios constitui o prazer de que vos falo. Todos sabemos de que trata Orlando. A Grande Vaga de Frio trata de tudo isso e, também, daquilo que lhe fomos acrescentando. E é esta a nossa maneira de ser Orlando.»

11.10.17

Lançamento de livro de Noemi Jaffe




O livro O Que os Cegos Estão Sonhando? da romancista Noemi Jaffe vai ser lançado no próximo dia 20 de Outubro, pelas 19:00, na Livraria Ferin, em Lisboa.
O lançamento conta com a presença da autora.



Em abril de 1945, cerca de um ano após ser presa pelos nazis e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe (cujo nome de solteira era Lili Stern) foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia. Lá, anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado: a captura pelos alemães, o quotidiano no campo, as transferências para outros locais de trabalho, mas também a experiência da libertação, a saudade dos pais e a redescoberta da feminilidade.

Esse diário — hoje depositado no Museu do Holocausto em Jerusalém e que, traduzido diretamente do sérvio, tem aqui a sua primeira publicação mundial — foi o ponto de partida para este livro absolutamente incomum, escrito e organizado por Noemi Jaffe. Em O Que os Cegos Estão Sonhando?, três gerações de mulheres da mesma família que se debruçam sobre o horror de Auschwitz, no impulso — tão imprescindível quanto vão — de, como observa Jeanne Marie Gagnebin, erguer uma defesa “contra a brutalidade do real”.

10.10.17

Agustina nas palavras de Joana Emídio Marques




A propósito da reedição da obra de Agustina Bessa-Luís, a jornalista Joana Emídio Marques escreve no Observador:

«Por isso, tendo nascido em 1922, tendo publicado o primeiro livro em 1948, Agustina Bessa-Luís é, foi, uma mulher e uma escritora onde poderemos sempre encontrar “o nosso tempo”, que será sempre nossa contemporânea, nossa mestre, nossa guia, a sibila que Virgílio fez acompanhar Eneias na sua descida aos infernos, a que se fez intermediária da palavra divina, a que desvenda o futuro mas não deixa de ser enigmática. Porque, como Dostoievsky ou Musil, sempre escreveu sobre os mundos interiores da condição humana.

Ou, nas palavras de Sílvina Rodrigues Lopes, escritora e docente na FCSH, ao Observador “a escrita de Agustina distancia-se completamente das ideologias do progresso e das suas conceções monolíticas da atualidade. Nessa escrita, a relação com factos históricos retira-os à contextualização historiográfica para os integrar em perspetivas construídas ficcionalmente, contrariando a tendência para conceber homogeneidades epocais.”

Portanto, se há algo que convém sublinhar é que neste momento não se pode continuar a deixar Agustina fora dessa modernidade radical, que desestruturou a literatura portuguesa a partir dos anos 50, que inaugurou um novo território ficcional fora dos movimentos literários, como o fizeram Maria Velho da Costa, Maria Gabriela Llansol ou Nuno Bragança. Não se pode falar das escritoras que contribuíram para o repensar da condição feminina sem parar na obra de Agustina Bessa-Luís.

Pedro Mexia, que assinará o prefácio de Os Meninos D’ Ouro, diz-nos mesmo que “Agustina escolheu o romance porque este género era o que mais liberdade lhe dava para escrever segundo as regras que ela própria criava. De certa forma ela escreve contra o romance porque as obras dela são na verdade híbridos, onde a ficção se cruza com o ensaio, onde ela parece ter mais vontade de refletir, de investigar do que de contar histórias”.» [8/10/17]

9.10.17

Obra de Agustina Bessa-Luís na Cinemateca





Em colaboração com a Relógio D’Água, a Cinemateca Portuguesa dedica a rubrica História Permanente do Cinema Português à relação da escritora Agustina Bessa-Luís com o cinema.
Com a exibição de dois filmes que adaptam a obra da escritora — Francisca, de Manoel de Oliveira, e A Corte do Norte, de João Botelho —, a 16 de Outubro, o dia seguinte ao do seu aniversário, a Cinemateca associa-se à editora Relógio D’Água e às iniciativas promovidas em torno da comemoração dos 95 anos de Agustina, a propósito do relançamento de toda a obra da autora. Iniciativas que incluem ainda a preparação de uma biografia da escritora, leituras e debates na Livraria Lello e uma exposição de fotografias sobre o seu Douro.

6.10.17

A chegar às livrarias: A Coragem do Desespero, de Slavoj Žižek (trad. de Miguel Serras Pereira)




Vivemos tempos conturbados, mas até as previsões mais pessimistas admitem que as coisas podem acabar por não correr completamente mal.
Slavoj Žižek considera que é precisamente quando a situação parece desesperada — e a luz ao fundo do túnel pode ser apenas a de um comboio que vem a toda a velocidade na nossa direção — que as mudanças são possíveis.
Žižek aborda temas como as migrações em massa, as tensões geopolíticas criadas pelo terrorismo, o islamismo, o incremento do populismo e o capitalismo autoritário chinês — todos eles exprimindo, em sua opinião, os impasses do capitalismo global.
O filósofo esloveno explora ainda as possibilidades que existem para uma mudança autêntica de que vê alguns sinais na sociedade atual. 
Aborda também de modo inovador as questões de sexualidade e os movimentos feministas, antirracistas e LGBT+.
Mas, em sua opinião, a questão essencial permanece: devemos considerar o capitalismo inerente à natureza humana ou terá antagonismos que impedem a sua reprodução infinita?

Muitas das posições de Žižek são controversas, como as que tomou sobre as recentes eleições norte-americanas. Mas destaca-se sempre a sua coragem filosófica em tomar posição sobre factos imediatos encarados à luz do que considera o legado emancipador europeu.

A chegar às livrarias: Tempo de Escolha, de António Barreto




«A desculpa externa, o bode expiatório externo, a culpa que vem do exterior sempre funcionou em Portugal. Inimigos, riscos e perigos vêm sempre de fora. O que corre mal, para quem está no poder, vem de fora. Comunistas, terroristas, colonizadores, imperialistas, exploradores, extorsão financeira, exploração, ágio e ideias subversivas: vêm todos do exterior. Mas a verdade, em última linha, com excepção da agressão pura e simples, é a de que a culpa vem sempre de nós, das nossas falhas, das nossas insuficiências, dos nossos erros e das nossas dívidas. E a dificuldade em encontrar quem reconheça as suas faltas, as nossas faltas, a fim de as corrigir e evitar no futuro, fundamenta um pessimismo de rigor.»


Este livro reúne artigos publicados pelo autor de 2015 a 2017 no Diário de Notícias e entrevistas realizadas entre 2014 e 2017.

4.10.17

Recordando José Cardoso Pires





José Cardoso Pires completaria 92 anos no passado dia 2 de Outubro (o seu falecimento ocorreu também no mês de Outubro há 19 anos).
A Relógio D’Água iniciou em 2015 a reedição das suas principais obras: Balada da Praia dos Cães com prefácio de António Lobo Antunes, O Anjo Ancorado apresentado por Mário de Carvalho, Alexandra Alpha por Ana Margarida de Carvalho e O Delfim por Gonçalo M. Tavares (De Profundis, Valsa Lenta mantém o prefácio inicial de João Lobo Antunes).



«Por favor, leiam-no: é uma imensa prenda que darão a vós mesmos.» [António Lobo Antunes]



«Com uma escrita de apuro, Cardoso Pires traça um ambiente turvo. Com uma escrita áspera, Cardoso Pires retrata pessoas indolentes. Com uma escrita exacta, Cardoso Pires assenta diálogos derivativos, enrolados, incongruentes — e essa coisa é que é linda. (…)» [Ana Margarida de Carvalho]



«Este indeciso e desencantado casal, os míseros populares dos anos cinquenta seguem, perenes, ao nosso passo, mercê de uma prosa superior, do espírito de observação e do talento compositivo de um dos grandes narradores da Língua Portuguesa.» [Mário de Carvalho]




«Que extraordinário escritor! Que extraordinário escritor é José Cardoso Pires.» [Gonçalo M. Tavares]

[fotografia do autor: Eduardo Gageiro]

A chegar às livrarias: Poemas Escolhidos, de W. B. Yeats (trad. de Frederico Pedreira)





«AO SER-ME SOLICITADO UM POEMA DE GUERRA

Em tempos como estes parece-me melhor que
A boca de um poeta tudo cale, pois na verdade
Não nos cabe o dom de corrigir um estadista;
Já se intromete bastante quem logra agradar
A uma rapariga na indolência da sua juventude
Ou a um velho numa noite de inverno.»

W. B Yeats nasceu em Junho de 1865 em Sandymount, Irlanda. Era filho e irmão de pintores, numa família que fazia parte da minoria protestante. Durante algum tempo Yeats dedicou-se à causa do nacionalismo irlandês. E numa conjunção rara uniu o interesse pela mitologia do seu país ao estudo dos mitos antigos, sempre de um ponto de vista pessoal.
Em criança passou longos períodos com a sua família materna, alternando com estadas em Londres.
Conheceu cedo a literatura irlandesa e dedicou-se ao estudo das disciplinas esotéricas, fazendo parte da Dublin Hermetic Society e mais tarde da rosacrucianista Hermetic Order of the Golden Dawn.
Em 1889 conheceu a revolucionária Maud Gonne, que inspirou muitos dos seus poemas. Interessou-se por William Blake, cujas obras editou. Em 1893 publicou O Crepúsculo Celta.
No ano seguinte conheceu Lady Augusta Gregory, tornando-se visita assídua da sua mansão em Coole Park. Seria Lady Gregory a facultar-lhe os meios para abandonar os escritos jornalísticos.
Yeats foi fundador do Abbey Theatre em Dublin. Perante a recusa de Gonne em se casar com ele, Yeats acaba por pedir a mão da sua filha, Iseult. A negativa desta leva-o a desposar, em 1917, Georgie Hyde-Lees, muito mais nova que ele.

Em 1923, Yeats recebe o Prémio Nobel da Literatura, o primeiro concedido a um irlandês. Faleceu em 28 de Janeiro de 1939, em Roquebrune, França, num «dia escuro e frio», a acreditar no poema que W. H. Auden dedicou à sua memória.

A chegar às livrarias: A Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein (trad. Margarida Periquito)





Gertrude Stein era uma jovem escritora de 28 anos quando, em 1903, regressou a Paris e aí passou a residir com o seu irmão Leo.
Em 1907, chegou à capital francesa Alice B. Toklas, igualmente originária de uma abastada família californiana. 
Conheceram-se, e Alice Toklas tornou-se assistente de Gertrude e depois sua companheira.
A sua vida parisiense passava-se na Rue de Fleurus, onde aos sábados à tarde recebiam escritores e pintores no salão da casa de Gertrude.
Picasso era visita frequente, com a sua «risada espanhola», assim como Cézanne, Matisse, Juan Gris, Scott Fitzgerald, Apollinaire, Cocteau, Pound e Hemingway.
Como diz Alice Toklas, «os génios vinham para conversar com Gertrude Stein» e «as mulheres faziam sala comigo».
Este livro é de facto a autobiografia de Gertrude Stein, escrito do aparente ponto de vista de Alice Toklas, e está repleto de histórias sobre os escritores e pintores que conheceu nessa época, uma crónica dos agitados anos artísticos e literários parisienses do começo do século xx. O estilo é audacioso, cúmplice e sarcástico. Foi escrito em apenas seis semanas em 1932.

«Agarra o leitor com a sua informalidade, ritmo compassado, humor inesperado e sagacidade.» [The Sunday Times]


PVP: € 16,00

A chegar às livrarias: Lorde Jim, de Joseph Conrad (trad. de Alda Rodrigues)






Jim era o primeiro oficial a bordo do Patna. Tinha sonhos juvenis de heroísmo e esperava cometer atos que provassem a sua coragem.
Mas quando o Patna, ao navegar de noite no mar Arábico, colide com um misterioso obstáculo, Jim entra em pânico e abandona ao naufrágio o navio e os peregrinos que transporta.
Este ato de cobardia leva-o a errar de porto em porto até que, em Patusan, na Malásia, a chegada de um traficante lhe dá ocasião de se conduzir com heroicidade.
Desta vez ele não hesita, procurando a redenção e ser fiel aos seus ideais românticos.

É um dos mais belos romances de Conrad, a par de Coração das Trevas, O Agente Secreto e Nostromo.

3.10.17

«Blade Runner 2049» estreia dia 5 de Outubro




A continuação de «Blade Runner — Perigo Iminente», baseado em «Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?», de Philip K. Dick, chega aos cinemas portugueses na próxima quinta-feira. O filme é realizado por Denis Villeneuve e tem Harrison Ford e Ryan Gosling como protagonistas.



De Philip K. Dick, a Relógio D’Água publicou também O Homem do Castelo Alto, Relatório Minoritário e Outros Contos e O Homem Duplo. Em breve chegará às livrarias Os Três Estigmas de Palmer Eldritch.

2.10.17

Sobre Retalhos de Tempo, de John Banville





«Retalhos do Tempo é o seu livro mais recente (a edição original é de 2016), e chega agora à língua portuguesa em mais uma rica tradução de Paulo Faria, acompanhada por meia centena de fotografias de Paul Joyce. O subtítulo do volume – Um Memorial de Dublin – pode ter efeitos contraditórios, mas os leitores eventualmente cansados de ‘guias literários’, de Dublin ainda por cima, nada devem recear. Sim, é claro que se fala de Beckett, de Joyce e de Yeats, e até de Oscar Wilde. Porém, como o livro nunca perde de vista as memórias pessoais do autor (ainda que ao longe ou só enquanto jovem observador), a Dublin literária mais revisitada é a do período que medeia entre o início da Segunda Guerra Mundial – a “Emergência”, como era referida na neutral Irlanda, recorda Banville, que coincide com a morte de Yeats em 1939, no Sul de França, e a de Joyce em 1941, em Zurique – e meados dos anos de 1960, ou seja, a cidade de Thomas Kinsella, John Montague e, sobretudo, a de Patrick Kavanagh. Fora os “impostores, exibicionistas e poetastros” do pub McDaids, “onde muitas obras-primas foram dissipadas em palavreado e arrebatadas pelo vapor do álcool”. Comenta Banville: “A Irlanda da Era McDaid era um lugar duro e ingrato para alguém com ambições artísticas.”
Pergunta: “Quando é que o passado se torna passado?” Num momento, o autor – que não nasceu em Dublin mas em Wexford, a cidade de Joyce tornando-se-lhe, por isso mesmo, “ainda mais sedutora” – é um menino extasiado, sonhador e pensativo, olhando pela janela de um comboio no dia do seu aniversário. Poucas páginas adiante, ei-lo septuagenário, sentado num dia chuvoso de Primavera a escrever um “quase-memorial”. [Mário Santos, Público, ípsilon, 25-9-2017]

Sobre Breve História de Sete Assassinatos





Marlon James está a trabalhar na adaptação cinematográfica de Breve História de Sete Assassinatos. Mais informações aqui.