18.4.17

A chegar às livrarias: O Sul seguido de Bene, de Adelaida García Morales (trad. de Hélia Correia)







Este volume inclui duas novelas, a primeira das quais, O Sul, deu origem a um filme realizado por Víctor Erice.
Tanto O Sul como Bene se caracterizam por um magnetismo narrativo baseado na especial capacidade de Adelaida García Morales para envolver numa aura de mistério a ausência de personagens masculinas ausentes.
Movendo-se no território da pureza amoral da adolescência, as narrativas percorrem caminhos pouco habituais na ficção espanhola.
Como escreveu Ángel Fernández-Santos, «O Sul é uma das narrativas de amor mais originais na sua poderosa simplicidade».

17.4.17

A chegar às livrarias: Frankie e o Casamento, de Carson McCullers


É com delicadeza, humor e emoção que Carson McCullers narra um fim de semana na vida de uma rapariga de doze anos sem mãe. Em apenas algumas horas, Frankie, uma maria-rapaz, revela todas as suas fantasias durante o casamento do irmão mais velho. É depois, a uma luz perigosa, que o leitor tem acesso à mente de uma criança devastada entre o anseio de pertencer e o impulso de fugir.
Este romance esteve na origem de uma peça de teatro premiada e de um filme.

«Um estudo maravilhoso sobre a agonia na adolescência.» [Detroit Free Press]

13.4.17

A chegar às livrarias: Anne das Empenas Verdes, de L. M. Montgomery (trad. de Maria Eduarda Cardoso)





«É um milhão de vezes melhor ser a Anne das Empenas Verdes do que a Anne de nenhum sítio em especial.»

Quando Anne Shirley chega a Avonlea surpreende toda a gente e abala a calma do lugar. Mas rapidamente a sua imaginação fértil a deixa em apuros…

A chegar às livrarias: Cinco Contos sobre Fracasso e Sucesso, de Alexandre Andrade




Este livro reúne contos em que as personagens oscilam entre o sucesso e o fracasso, com predomínio deste último.
No primeiro, que descreve o projecto malogrado de restauração de um fresco em Itália, o fracasso é anunciado num resumo que antecede o conto propriamente dito, para evitar expectativas exageradas por parte do leitor.
Segue-se «Problema por Resolver», onde as perguntas inesperadas deixam pouco espaço para as respostas definitivas sussurrarem a sua existência, nessa rua Castilho onde Vera Nautilus desempenha a função de telefonista numa agência matrimonial.
Nos três contos finais, cita-se Hölderlin, joga-se ténis, e as personagens continuam de candeias às avessas com um mundo que ora é misterioso, ora é demasiado legível.

12.4.17

Sobre Poemas Escolhidos, de Yorgos Seferis







«Yorgos Seferis (1900-1971) escreveu num dois seus lúcidos ensaios que há duas espécies de helenismo: o “helenismo europeu” e o “helenismo grego”. Queria com isso dizer que “a Grécia” é uma civilização da Antiguidade, longínqua, e que nos últimos séculos foram as outras nações europeias que desenvolveram os temas helenísticos, enquanto os gregos se tornavam culturalmente irrelevantes. Para um grego, portanto, a “sua” tradição é também uma tradição estrangeira, glosada e reformulada pelos “outros”, de Dante e Eliot.
(…)
De modo que não via a mitologia e a geografia gregas como um estratagema discursivo, imagético, mas como uma experiência do tempo passado vivida no tempo presente, que é com frequência uma waste land (e nem faltam as notas eliotianas de fim de página).
Esta antologia breve de uma obra breve é eficaz na apresentação do Nobel de 1963 enquanto “diarista de bordo”, histórico e trans-histórico, situado mas universal.» [Pedro Mexia, Expresso, E, 8/4/2017]

Bob Dylan em discussão no Palácio Fronteira






O Grupo de Leitura “O Nobel revisitado: Três géneros e três autores premiados”, propôs o comentário de obras de três de autores galardoados com Prémio em três géneros diferentes: um romance de Ohran Pamuk (2006) um livro de contos de Alice Munro (2013)  e um ensaio da autoria de Svetlana Aleksievitch (2015).
Anuncia-se agora uma sessão extraordinária, dedicada ao vencedor do Prémio Nobel de Literatura de 2016, Bob Dylan.
A sessão terá lugar no Palácio Fronteira, no dia 20 de Abril, às 19:00, e a poesia e a música de Bob Dylan serão apresentadas por Pedro Pyrrait.
As inscrições são gratuitas e obrigatórias.

Do último Prémio Nobel de Literatura, a Relógio D’Água publicou Canções I e II, Tarântula e Crónicas, volume 1.

11.4.17

Sobre Crónica de Um Vendedor de Sangue, de Yu Hua



«Yu Hua (n. 1960) é tido pelos conhecedores como um dos mais importantes escritores contemporâneos chineses. Autor de três romances, e de algumas colectâneas de contos e outras de ensaios, a sua obra está traduzida para várias línguas europeias; em 2002 tornou-se o primeiro escritor chinês a ser distinguido com o prestigiado James Joyce Foundation Award. O romance Crónica de Um Vendedor de Sangue — o primeiro título de uma série em que a editora Relógio D’Água promete publicar clássicos contemporâneos da literatura chinesa, traduzidos a partir do original — é considerado um dos dez livros mais influentes na China nas últimas décadas.
Crónica de Um Vendedor de Sangue é um retrato impiedoso da China comandada por Mao, mas descrevendo-a, e curiosamente, sem entrar de maneia óbvia e directa nos aspectos mais políticos dessa décadas. Xu Sanguan, o protagonista, trabalhava como distribuidor de casulos na fábrica de seda da cidade. Era um jovem de vinte anos por volta de 1950, filho, e decidiu que tinha chegado a altura de se casar. Mas com o ordenado que ganhava na fábrica de seda, dificilmente conseguiria manter uma família. Entretanto, na aldeia onde vivia um tio, ouviu dizer que os homens que não vendem sangue não arranjam mulher. “Se queremos casar ou construir uma casa precisamos do dinheiro do sangue. O que ganhamos da terra mal chega para matar a fome.”» [José Riço Direitinho, Público, ípsilon, 7/4/2017]