9.12.16

A chegar às livrarias: Para lá das Palavras – O Que Pensam e Sentem os Animais (trad. de Vasco Gato)






«Um novo grupo de golfinhos, onde inúmeras crias nadavam ao lado das mães, emergiu ao longo da nossa embarcação, saltando e chapinhando, chamando por nós de forma misteriosa com o seu assobio característico.
Queria saber o que eles estavam a sentir, e porque nos parecem seres tão atraentes, tão… próximos. Mas desta vez permiti-me apresentar-lhes a pergunta proibida: “Quem são vocês?”»
Durante décadas de observação de campo, Carl Safina fez importantes descobertas sobre o cérebro dos animais. Agora o autor oferece-nos uma visão íntima do seu comportamento, desafiando os preconceitos que teimam em separar o comportamento humano do animal.
Neste livro o leitor irá viajar até ao Parque Nacional de Amboseli, situado em plena paisagem protegida do Quénia, onde poderá observar como as famílias de elefantes sobrevivem à caça furtiva e às secas; irá depois ao Parque Nacional de Yellowstone observar o modo como os lobos se organizam após a morte de uma alcateia; visitará finalmente as águas cristalinas do noroeste do Pacífico para observar a fascinante e silenciosa sociedade das baleias assassinas.
Para lá das Palavras é uma análise sobre as personalidades únicas dos animais, desvendadas através de histórias de alegria, tristeza, ciúme e amor animal. Um livro que nos ensina que as semelhanças entre a consciência humana e animal deveriam ser motivo mais do que suficiente para reavaliarmos o modo como interagimos com os animais.
 
«Para lá das Palavras é um livro que terá um impacto enorme em muitos leitores, pelo modo como impulsiona a nossa relação com os animais para um plano mais elevado… A par de A Origem das Espécies de Darwin, e O Gene Egoísta de Dawkins, Para lá das Palavras é um marco essencial para entendermos o nosso lugar na natureza. Tem, de facto, potencial para alterar o modo como nos relacionamos com o mundo natural.» [The New York Review of Books]

A chegar às livrarias: Walden e Ktaadn, de Henry David Thoreau (trad. Alda Rodrigues)





Crítico do crescimento da industrialização americana, Henry David Thoreau abandonou Concord, Massachusetts, em 1845, para se isolar nos bosques junto ao lago Walden.
Walden, livro onde o autor narra essa sua estada no local, transmite um maravilhamento pela natureza de um lugar, assim como um anseio pelo transcendentalismo, pela verdade espiritual e pela independência do homem.
Em Ktaadn, Thoreau narra as suas excursões a uma das mais altas montanhas da Nova Inglaterra e a alguns lagos de Penobscot, no que é considerado um dos seus mais belos textos de viagem.

Alexandre Andrade no Todas as Palavras






A propósito da edição de Benoni, Alexandre Andrade foi entrevistado por Inês Fonseca Santos no programa Todas as Palavras, que pode ser visto em:


De Alexandre Andrade a Relógio D’Água publicou também O Leão de Belfort.

7.12.16

A chegar às livrarias: Até já não É adeus, de Cristina Carvalho





«Dessa vez não cheguei a perceber se era o Sol a desaparecer lá longe, muito longe, na bainha da moldura, entre o rio e o céu ou se era a luz da manhã a regressar, surgindo devagarinho como mais um dia nascido das brumas lilases, nascido das nuvens, uma aurora espantosa.
Sei que quando ali cheguei não era nem dia nem noite, nem manhã nem tarde, nem as horas existiam, nem sei se o tempo era tempo. Uma interminável fila de automóveis, estacionados uns atrás dos outros, formava uma barreira sólida e escura entre o ar existente e a muralha a escorregar para o rio. Também a escorrer pela muralha alguns casais entrelaçados, confundidos no musgo da pedra quase, quase a tocar a água com as pontas dos sapatos.
Eu tinha saído de casa a pensar que te ia encontrar, ou a ti ou a alguém no caso da tua ausência. Era de amor que eu precisava. Podias ser tu, podias não ser. (…)»


Este livro reúne dez contos, escritos pela autora em diferentes épocas, vários deles inéditos.

6.12.16

A chegar às livrarias: Veneza, Um Interior, de Javier Marías (trad. José Bento e Manuel Alberto)




«Veneza produz simultaneamente duas sensações na aparência contraditórias: por um lado, é a cidade mais homogénea — ou, se se prefere, harmoniosa — de todas as que conheci. Por homogénea ou por harmoniosa entendo principalmente o seguinte: que qualquer ponto da cidade, qualquer espaço luminoso e aberto ou recanto escondido e brumoso que, com água ou sem ela, entre a cada instante no campo visual do espectador é inequívoco, isto é, não pode pertencer a nenhuma outra cidade, não pode confundir-se com outra paisagem urbana, não suscita reminiscências; é, portanto, tudo menos indiferente. (…)
Por outro lado (e aqui está o contraditório), poucas cidades parecem mais extensas e fragmentadas, com distâncias mais intransponíveis ou lugares que provoquem uma maior sensação de isolamento.»

5.12.16

Livros da Relógio D’Água sugeridos pelo Expresso



No número de 3 de Dezembro do suplemento E do Expresso, vários críticos recomendam livros para o Natal, entre os quais quatro obras editadas pela Relógio D’Água.



Pedro Mexia sugere Ficar na Cama de G. K. Chesterton, em que Alberto Manguel escolheu «uma centena de textos sobre literatura, ideias, costumes. Ensaios argumentados, brilhantes, paradoxais, divertidos. E invulgarmente felizes».

 

Luís M. Faria propõe Eugénio Onéguin, de Aleksandr Púchkin, e considerou: «Está para a Rússia como Os Lusíadas para Portugal, com a vantagem de ter dado origem a obras musicais bastante superiores e de ser mais moderna.»

 


José Mário Silva escolheu Todos os Caminhos Estão Abertos, de Annemarie Schwarzenbach: «Viajante compulsiva, Annemarie partiu de Genebra em junho de 1939 num Ford Roadster Deluxe, com a fotógrafa Ella Maillart ao lado. Destino: o Afeganistão. Dos milhares de quilómetros percorridos, com ecos da guerra que entretanto começara, a escritora fez um retrato de olhos muito abertos no meio da poeria e dos fulgores do Oriente, transmutando a prosa em poesia.»

 
José Mário Silva destaca como «prenda especial» a Poesia Completa de Manoel de Barros:

«São esses os desenhos feitos de palavras que nos atingem, ao ler Manoel de Barros, como um prodigioso aluvião de maravilhas. Sigamos o olhar oblíquo do poeta, a sua voz mineral, capaz de tornar simples a complexidade do mundo. Mas deixemos de lado a lógica, a fúria das explicações, porque o poema não tem de servir para nada, “é antes de tudo um inutensílio”.»

Sobre Paris França, de Gertrude Stein




«A minha geração ainda se lembra dela, porque ela foi uma percursora do que mais tarde se chamaria literatura gay. (…) Não admira que a obra suscite curiosidade. Afinal, trata-se do livro em que Gertrude discorre sobre a cidade onde viveu até morrer. Pela sua casa passaram todos os Modernistas, bem como toda a gente que foi importante na primeira metade do século XX. Picasso, Hemingway e Pound eram habitués. Mas Paris França não se ocupa do salão da Rue de Fleurus. É uma memorabilia dos primeiros anos, cheia de aforismos: «a França podia ser civilizada sem pensar no progresso». Os puritanos vão execrar o lugar de destaque dado à gastronomia. » [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica sua na Sábado de 30-11-2016]